Em uma tarde em março de 2012, Simon Cowell tirou um tempo para fumar nos bastidores do Greensboro Coliseum na Carolina do Norte, onde ele estava julgando as audições para o X Factor americano, quando encontrou uma garoto deitada no chão, soluçando.

A garota era Camila Cabello. Ela tinha acabado de fazer 15 anos, e para seu aniversário pediu a seus pais – imigrantes cubanos vivendo em Miami, que se sustentavam como assistente de compras e lavador de carros – para dirigir por 12 horas desde sua casa até as audições. Cabello explicou a Cowell que após ficar aguardando por dois dias para ver os jurados, ela havia acabado de ser avisada que o tempo tinha acabado e ela deveria ir pra casa.

Aparentemente ela era uma reserva”, Cowell me contou ao telefone. “Então eu disse a ela: ‘Escute, eu não tenho ideia do que você está falando ou o que um reserva é, mas já que você está aqui, venha e faça a audição”. Cinco minutos depois, ela cantou [Aretha Franklin – Respect] na frente de 7,000 pessoas e foi sensacional.

Cabello tem uma moldura pequena e uma voz gigantesca e inebriante. O que deixa a desejar em requintes técnicos, ela recupera com paixão jovial e melodrama romântico. Cowell tornou sua carismática descoberta como a (não oficial) líder de um grupo composto por outras 4 concorrentes e o Fifth Harmony nasceu. Após terminar a competição em terceiro lugar, elas assinaram com a gravadora Syco, de Cowell, tornando-se uma espécie de versão feminina de seu outro grupo do X Factor, One Direction. Em meses, Fifth Harmony conquistou um álbum de lançamento de platina com músicas de tema feminista, uma turnê mundial esgotada, duas performances na casa branca e dezenas de milhões de jovens fãs.

Para Cabello, aquele era apenas o início. Ano passado, Havana, o segundo single de seu álbum de estreia que atingiu o primeiro lugar, veio para definir o verão – um feito raro na era da saturação do streaming, onde cada hit é ofuscado pelo seguinte em uma questão de dias. Havana tornou a cantora a primeira artista feminina a ter um bilhão de reproduções com uma única música. Você sendo ou não um fã de Cabello, você já a ouviu.

Nesse verão, a jovem de 22 anos repetiu o impossível. Señorita, uma música romântica latina do seu segundo álbum a ser lançado, com a presença da igualmente estrela pop (e, a partir de julho, namorado) Shawn Mendes, mais uma vez conquistou os charts. Um casal poderoso: de acordo com o Spotify, serviço de reprodução de música online, Mendes, de 21 anos, e Cabello, que ganharam 2 MTV VMAs por Señorita semana passada, são os artistas mais ouvidos no mundo depois de Ed Sheeran. “Havana foi um tipo de sucesso ‘único para toda a vida’ e ela apenas… fez isso mais uma vez.”, diz o empresário de Cabello, Roger Gold, que primeiramente conheceu a cantora enquanto era advogado do grupo Fifth Harmony. “Nunca pensamos que seria algo tão massivo”

Quando eu repito as palavras de Gold de volta para Cabello tomando um leite com cereais em um café vegano em Montreal – a mais recente parada da turnê mundial de Mendes – ela sorri. “Foi o mesmo com Havana”, ela diz, mantendo o olhar na janela para os fãs que estão acampados fora do hotel onde ela e Mendes estão hospedados, desde quando os dois foram vistos andando adoravelmente juntos pela cidade no dia anterior.

“Todos me disseram, essa é uma música latina, não pode nunca ser o single. Pessoas da gravadora e amigo estavam dizendo que eu precisava adicionar mais produção, pois era muito lenta”, continua Cabello, antes de acidentalmente derramar café em seu casaco cinza e sinceramente me implorar por dicas de lavagem. Nós limpamos a manga do casaco dela com água, enquanto Cabello tentava imitar o meu sotaque. “Eu vou pedir um flat white”, ela fala maliciosamente de novo e de novo, até que eu a conduza de volta à conversa. Persuadida de que Havana jamais tocaria nas rádios, Cabello lançou Crying in the Club como o seu primeiro single então. Mas quando o álbum foi lançado, foi Havana que fez os ouvintes se prenderem.

“Era surreal: crianças vinham até mim e perguntavam, ‘você é a Havana?'” ela diz. A música foi indicada em duas categorias do Grammy, onde Cabello se tornou a primeira artista feminina a abrir uma cerimônia.

O domínio de Cabello nas paradas, é parte do que Gold chama de “mudança de terreno“. “Artistas latinos tem ganhado uma enorme aceitação global no mundo pop nos últimos anos,” ele diz. Até 2017, um ‘numero um’ de língua latina era raro, limitado a Enrique Iglesias, Shakira e modas tipo ‘Macarena’. Isso mudou quando Despacito de 2017 de Luis Fonsi e Daddy Yankee, escrita totalmente em espanhol, se tornou a música mais reproduzida da história.

No mesmo ano, o número de músicas de língua espanhola na Billboard Hot 100 pularam de 3 para 19; esse ano o número já está em 16. A influência Latina é tanta na cultura pop que Madame X de Madonna, lançado em Abril teve a estrela cubana Maluma, e a versão moderna do flamenco clássico da revelação espanhola Rosalia esteve no palco John Peel do Glastonbury desse ano. No meio disso, claro, veio a avassaladora Havana.

Cowell diz que ele nunca pensou nas raízes latinas de Cabello quando a conheceu. “E então é claro que eu percebi anos depois, de que ela estava transformando tudo.”. Ele desde então tem tido sucesso com o seu grupo latino CNCO. “Talvez eu deva muita coisa a ela.”

Até mesmo cantores que não são latinos estão lucrando com o gênero, como Justin Bieber provou com seu enormemente popular remix de Despacito. “É definitivamente irritante quando as pessoas se aproveitam, mas as vezes eu sou inspirada por coisas que não são necessariamente da minha cultura.” diz Cabello. “Eu acho que com a globalização, gênero não existe mais. Foi surreal ouvir as pessoas cantando o refrão de Havana. Muitos jovens nunca haviam ouvido falar sobre o lugar.”

Cabello doou os lucros procedentes do vídeo da música para apoiar jovens imigrantes ilegais, conhecidos como Dreamers – que entraram nos EUA menores de idade e estão buscando o status de residentes. Seu canal do Youtube foi inundado com mensagens de fãs latinos a agradecendo por fazê-los se sentirem mais bem recebidos na América. Cabello sofre com ansiedade e procura ficar longe de redes sociais porém quando eu menciono as mensagens ela espalma as duas mãos no rosto e suas sobrancelhas sobem pra trás da sua franja. “É mesmo? Isso me faz tão feliz. Por isso eu quero contar minha história, porque quando eu vejo o que está acontecendo na fronteira, meu coração se quebra. Aquela é minha história também.”

Cabello tinha 6 anos quando sua mãe, uma arquiteta, a carregou através da fronteira do México, dizendo a filha que elas estavam indo a Disney. “Eu tenho essa memória da minha mãe me levando para um posto de gasolina, e só isso,” ela diz. Elas ficaram detidas por 22 horas antes de serem liberadas para seguir para Miami. Seu pai, originalmente da Cidade do México, se juntou a elas ilegalmente anos depois, após nadar o Rio Grande. “Eu não sabia o que estava acontecendo,” Cabello me conta. “Eu apenas tinha meu calendário da Disney que eu riscava os dias até ele chegar.”

“Por isso a minha mãe ama o filme ‘A Vida é Bela'”, ela diz, se referindo ao filme vencedor do Oscar de Roberto Begnini, uma comédia sobre um pai judeu e seu filho levados a um campo de concentração durante o Holocausto. “Obviamente eu não estou comparando a minha história a essa em termos de, você sabe…mas sim a mesma ideia de um pai/mãe inventar um jogo para proteger seus filhos.”

O novo álbum de Cabello, ainda sem nome, que sairá mais tarde ainda esse ano, é um tributo ao primeiro amor. Ela descreve a experiência nos termos do filme Amélia de 2001, que ela assistiu a primeira vez no ano passado. “Antes, eu era Amélie”, ela diz, se comparando a sonhadora principal do filme, encenada por Audrey Tautou. “Eu estava vivendo na minha própria imaginação. Eu não saía e conhecia pessoas. Eu realmente não fazia amigos. São as menores coisas que emocionam a Amelie, como ser paquerada.”

Quando criança, ela odiava tanto atenção que chorava quando lhe cantavam ‘Parabéns pra Você’. Sua audição para X Factor foi a primeira vez que ela cantou em público, e a ajudou a perceber que ela poderia se transformar no palco. “Agora, eu sou a Amélie ao final do filme, quando ela se apaixona pela primeira vez e quebra a sua proteção.”

Das 72 músicas que Cabello escreveu para o álbum, apenas um pequeno número será lançada, e cada uma delas tratará das minúcias dos relacionamentos. Desejando que eu escute algumas, Cabello chama a sua mãe Sinuhe, que viaja com a filha a todos os lugares e chega ao café com um iPhone, onde ela toca duas novas músicas para mim. A primeira é uma balada pesada, gótica, remanescente da Avril Lavigne de antigamente; a outra uma música Latina carregada com um batida poderosa que faz você querer levantar e dançar salsa.

Como no álbum anterior, Cabelo é creditada como compositora em todas as músicas do novo álbum – uma raridade em uma época onde tantos hits são manufaturados por times de compositores e produtores. Será que ela está querendo se posicionar sobre alguma coisa?

“Não, mas eu preciso contar minhas próprias histórias,” ela diz. “Eu ainda me arrependo do meu primeiro single, Crying in the Club, porque eu não o escrevi e eu não senti como se fosse meu. Eu tinha o refrão de Havana, porém eu segui com o que era seguro, com o que as pessoas da indústria me diziam que funcionava antes. E resultou que ninguém sabe o que pode acontecer.”

Quando Cabello usa a palavra “indústria”, sua expressão, geralmente acolhedora e confiante, se torna inquieta. A falta de liberdade que ela experimentou no início da carreira como parte de um grupo de gravadora parece ter criado nela uma desconfiança no sistema.

“Fifth Harmony era como se fosse uma pessoa a parte. Era com se nós estivessemos lá para servir ao grupo”, ela diz, puxando as mangas do seu casaco cinza. Após Cabello deixar o grupo em 2016 ela foi acusada de traição, e as coisas ficaram feias – quando as 4 integrantes remanescentes abriram o MTV Video Music Awards de 2017, em uma plataforma elevada mostrando a silhueta de 5 mulheres ate que uma delas fosse atirada para fora do palco quando a performance começou. “É tão normal grupos de desintegrarem. Eu acho que tem que acontecer algum tipo de milagre para 5 pessoas permanecerem juntas,” ela diz. “Eu sou tão interessada para saber o que acontece de diferente com o Little Mix.”

Em 2020, Cabello vai fazer seu próximo passo na carreira – na atuação. James Corden pessoalmente a escolheu para estrelar a contribuir para criação de um musical com uma nova versão para Cinderela, que ele está produzindo. “Ele viu meu comercial da L’Oreal onde eu estou basicamente sendo idiota, e ele achou aquilo legal.” Ela parece um pouco assustada – e está atualmente tendo aulas de atuação – mas parece ser um próximo capítulo óbvio para uma vida real que está tomando a dimensão de um conto de fadas.

“Quer saber,” Cowell me diz antes de desligar o telefone, “eu nunca imaginaria, lá atras, que quando eu conheci a menina que estava tendo o pior dia da sua vida, que estava chorando na parte de trás da arena, que agora estaríamos tendo esse tipo de conversa sobre ela. Você consegue acreditar?”

O novo single da Camila Cabello sairá na quinta-feira.

Shawn Mendes e Camila Cabello são o som do verão

Bem a tempo do verão e do single deles, “Señorita”, as maiores estrelas dessa estação agraciam nossa capa digital.

A internet está implorando para que Shawn Mendes e Camila Cabello se juntem. Como duas das maiores estrelas mundiais, que por acaso também são amigos de longa data, o anseio para que eles se tornem a Britney e Justin dessa geração é tanto abundante quanto palpável. Os fãs ficam obcecados com demonstrações públicas de adoração de um para o outro, como depois que os dois se apresentaram (separados) nos GRAMMYs de 2019 – algo que estava na lista conjunta deles desde que eram crianças “cantando músicas do Ed Sheeran no camarim”, tweetou a Camila naquela noite.

Juntar os dois levou quase um ano. O cronograma de uma estrela pop? Louca. Duas? Impossível. Vamos ver o que está na agenda. Manchetes nos dizem que a Camila vai estrelar uma nova e repaginada Cinderella, que gravou “Find U” com Mark Ronson, e está terminando um novo álbum, enquanto Shawn estampa a última campanha da Calvin Klein, faz turnê pelo mundo, e acabou de lançar uma música, “If I Can’t Have You”. Ainda bem, para a multidão de fãs deles, eles estão junto – só não como casal.

Hoje os dois lançam o single feito em conjunto, “Señorita”. O irrefutável hit do verão é um acréscimo ao talento de composição deles, voz, e sexto sentido para o ouro do pop que já garantiu a ambos, Cabello e Mendes, o topo das paradas internacionais. Além disso, também existe a frivolidade sem remorso da música. Sua leveza consciente é uma amostra de onde os dois artistas estão no momento: no topo do mundo, envoltos em talento e um mundo cheio de oportunidades interessantes.

A empolgação é algo que todos nós podemos nos relacionar no verão, mesmo que em uma escala muito menor. Para comemorar “Señorita”, nós fotografamos Cabello e Mendes juntos (antes deles viajarem em direções opostas) e tivemos os dois gigantes do pop falando sobre sua frutífera amizade.

Veja “Señorita” e a entrevista completa abaixo.

Camila Cabello: Você se lembra qual foi sua primeira impressão de mim?

Shawn Mendes: Essa é uma ótima pergunta.

CC: É bom. Lembro-me de pensar que nos conhecemos na turnê de Austin Mahone, e lembro que queria sair com você, mas você estava sempre no ônibus da turnê, apenas aprendendo violão.

SM: Sim, esse sou eu. Eu não falei com ninguém. Você foi a única pessoa que falou comigo. Tipo, você foi o único de todos nessa turnê que diria palavras para mim. Na verdade, acho que se formos ao nosso DM ou algo assim, há uma foto do dia em que nos conhecemos, eu acho.

CC: Eu também me lembro antes de entrar no palco, eu ouvia você [cantando].

SM: Eu também achei que você era louco. Insano.

CC: Eu sou.

SM: Sim, você é. E eu pensei que você estivesse fora de si. Eu estaria no meu ônibus onde ninguém poderia me ver. Eu estaria olhando pela janela e te veria como, voando em uma scooter e pulando e fazendo cambalhotas. Eu ficaria tipo, ela é louca. Feche a janela e vá dormir.

CC: Sim, eu estava ainda mais louco quando criança. Meu nome no Facebook uma vez foi Carla Billaba Billabong Cabello porque eu pensei que era engraçado. Eu era uma dessas pessoas.

SM: Você é louco.

CC: Escrever uma música com alguém é um processo vulnerável, então como você fica mais tímido sobre suas idéias, opiniões, etc. ao escrever com alguém?

SM: Eu acho que você supera isso antes mesmo de entrar na sala.

CC: Você faz?

SM: eu faço.

CC: Você nunca ficou nervoso quando escreveu com alguém?

SM: Sobre como se abrir para eles?

CC: Sim.

SM: Não sobre isso. Eu fico nervoso com isso, eu vou ser uma boa cantora hoje?

CC: Realmente? Isso é tão engraçado.

SM: Sim, mas depois sobre a abertura, estou bem com isso.

CC: Especialmente se eu tenho uma letra que é realmente pessoal, eu fico tipo, “Oh meu Deus, eu não quero dizer isso na frente de cinco pessoas agora”.

SM: Eu literalmente entro e estou tipo, aqui está o acordo, 100% do topo.

CC: Eu acho que me obrigar a fazer isso de qualquer maneira, mas é definitivamente estressante para mim.

SM: Eu realmente confio em compositores. Eu não sei porque confio tanto neles. Eu não deveria confiar neles. Eu digo tudo a eles, gosto demais.

CC: Eu sei. Eu sou o mesmo. Eu literalmente pensei que se alguém estivesse gravando essa conversa, minha vida inteira

SM: Acabou. Tudo.

CC: Sim, com certeza. Mas para mim depende da vibração que alguém está dando. Eu sinto que se você escreve com alguém e eles não são sensíveis, então eu me sinto estranho como “E então isso aconteceu, e então isso aconteceu …”

SM: E eles são como, “Ok, bem, não poderia ser mais simples? Tipo, estamos tentando escrever um sucesso.

CC: Sim, exatamente. Então, eu fico tipo “Woo, shutdown”. Como você avalia o sucesso de um novo single ou grava fora de gráficos e números?

SM: Pessoas na rua. Tipo apenas pessoas. E a vida, como nada para fazer [online]. Se você está andando na rua e alguém diz “Eu amo sua nova música”, isso é uma coisa. Porque acho que qualquer pessoa online pode dizer coisas facilmente. Mas é preciso que alguém realmente goste de dizer pessoalmente.

CC: Eu realmente gosto quando vejo crianças pequenas cantando junto. Como se um fã fosse assim: “Olhe para meu irmão mais novo [cantando]”.

SM: Sim, isso significa que está atingindo um nervo.

CC: Eu acho isso muito legal.

SM: Então, “Señorita”. Eu tive que fazer tudo em espanhol ontem. Foi uma loucura

CC: Woah, eu não ouvi isso.

SM: Eu também não ouvi.

CC: Faça agora mesmo.

SM: Não.

CC: Faça apenas uma linha.

SM: Não, eu nem consigo me lembrar de uma linha.

CC: Ok, alguns detalhes engraçados sobre a música. A música é realmente como oito meses na tomada.

SM: Levei 10 meses para convencer Camila a cantar isso comigo.

CC: Isso é verdade. Meus fãs simplesmente vão me odiar agora.

SM: Oh, eles deveriam.

CC: Eles vão ficar tipo, “Ela é tão estúpida”. Honestamente, é só o momento certo para as coisas acontecerem, eu sinto. Você sabe?

SM: Sim, 100 por cento. Nós também fizemos uma música antes…

CC: Nós queríamos fazer uma música chamada “Eu sei o que você fez no inverno passado” e “Eu sei o que fizemos no outono passado”.

SM: E nossos managers ficaram tipo—

CC: Eles disseram “Não” e nós dissemos “O quê ?!” Nós quase os demitimos. Nós ficamos tipo: “O que você quer dizer? Como isso não é uma boa ideia?

SM: E o “Último Outono” foi uma ideia muito legal.

CC: Foi muito legal. Então nós fizemos a versão de inverno que era como a versão de Game of Thrones.

SM: Sim, Game of Thrones Natalino.

CC: Sim, e depois fizemos a Primavera, que era como flores.

SM: Sim, mas nenhum deles funcionou. Mas “Señorita” foi ótimo. Eu acho que essa é provavelmente a maior antecipação que eu já tive para lançar uma música. Além de “I Know What You Did Last Summer”

CC: Eu sei, eu também. É realmente doido, porque ninguém sabe o que está acontecendo. O que tem sido muito, muito legal, assim nós conseguimos manter um segredo.

SM: Literalmente ninguém tem ideia. As pessoas provavelmente nem pensam que estamos no mesmo lugar no mundo.

CC: Estávamos olhando o vídeo para “I Know What You Did Last Summer” e estávamos há 30 pés de distância.

SM: Louco… Mas agora esse vídeo é basicamente o oposto disso. Nós crescemos um pouco.

CC: Sim, acho que amadurecemos definitivamente. Eu realmente acho que quando tínhamos essa idade, não sabíamos o que estava acontecendo. Nós estávamos tipo, passando por coisas.

SM: Eu não tinha ideia do que estava acontecendo em todos os momentos.

CC: E agora eu sinto que vou lembrar deste momento, ao invés de tipo-

SM: Naquela época. Acho que estávamos apenas fazendo o que estava bem na nossa frente. Agora, estamos tipo: “Ok, isso é desconfortável. Vamos fazer isso por causa disso. Vamos nos forçar porque é difícil. Vamos nos forçar porque é desconfortável. E isso é ótimo. ”

CC: Quais são alguns dos seus objetivos pessoais nos próximos cinco anos? Oh, como você sente que cresceu como pessoa nos últimos cinco anos?

SM: Eu acho que todas as coisas em que eu estava colocando importância eram tão erradas. Como três anos atrás. Como as coisas que eu me preocupava e as coisas que eu estava esperando que as pessoas estavam gostando e apenas estresse desnecessário e ansiedades em coisas que eu não precisava se preocupar … eu costumava ficar tão nervoso e entorpecido sobre tudo.

CC: Eu sei, eu costumava ficar tão nervosa e meio que sofrer com coisas boas antes que eu pensasse “Então, quando eu realmente vou aproveitar a minha vida?”

SM: Você está tocando no Grammy’s – bem, não o Grammy, mas você está tocando alguma coisa, e isso é como um …

CC: Na verdade, essa foi a primeira vez que eu realmente gostei do Grammy.

SM: Eu também, adorei.

CC: E eu literalmente pensei tipo, quer saber? Se isso vai ser o que você faz em 90% do seu tempo, qual é o ponto de ser infeliz?

SM: 100 por cento Então qual é o ponto?

CC: Então não faça isso, bitch.

SM: Eu estava literalmente assim. Eu me sinto como naquela época, nós pensamos, “Oh meu Deus, eu tenho que cantar pela manhã.”

CC: E então eu percebi, qual é o ponto? Eu realmente percebi que as opiniões das pessoas realmente não importam tanto para mim. Como se eles não importassem mais do que minha experiência.

SM: Exatamente, sim.

CC: Isso foi uma coisa tão grande para mim. Eu fiquei tipo, “Ok, eu estou tão nervosa com esta entrevista ou com esta sessão porque eu me importo com o que outras pessoas que eu não conheço, o que elas pensam.” Qual é o ponto? Eu nem sequer os conheço.

SM: Você iria começar a cantar e você pensaria tipo: estou pensando sobre o que as pessoas estão pensando sobre mim; Eu não estou nem pensando em cantar. Como eu estou literalmente 100 por cento só de pensar sobre o que todo mundo está pensando sobre mim e apenas fazendo os movimentos?

CC: O amor-próprio é como “Eu realmente me preocupo com a experiência que estou tendo mais do que o que a outra pessoa pensa de mim”

SM: 100% especialmente quando você é jovem também. Este é o momento em que eu deveria estar me divertindo mais e não me estressando.

CC: Com certeza. Ok, uma última pergunta. O que você gostaria de fazer, não relacionado à música, em sua carreira?

SM: Eu quero abrir uma cafeteria. É tão simples, mas é como—

CC: legal. Eu quero ter um podcast. Eu realmente adoraria fazer um podcast.

SM: Ok, eu também! Eu realmente acho que isso seria incrível.

CC: Eu realmente amo podcasts. Eu nunca pensei que gostaria de fazer isso antes.

SM: Do que você falaria?

CC: Literalmente, eu entrevistaria pessoas assim e apenas perguntar a elas coisas completamente não relacionadas.

SM: Por que não fazemos nada que tenha a ver com música?

CC: Ou como as perguntas que ninguém realmente pede. Tipo: “Qual é o seu maior medo? O que te faz chorar? ”A parte humana que você nunca vê.

SM: “O Humano”, você deveria ligar.

CC: “A Experiência Humana”

SM: Sim, algo assim.

CC: Não é o título do álbum de John Bellion?

SM: Esse é o título dele, mas você deveria-

CC: Eu sinceramente adoro isso, porque eu realmente… tipo, quanto mais eu cresço, eu sempre vejo a superfície do que todo mundo está passando. E isso realmente faz você se sentir muito mais conectado.

SM: Qual é o seu maior medo?

CC: O meu?

SM: Sim.

CC: Eu acho que o meu maior medo na maior parte do tempo é cometer erros. Eu tenho que trabalhar nisso sobre mim mesma. Eu sinto que sempre tenho medo de tomar a decisão errada. E então eu estou apenas paralisada. Então, sinto que tenho que confiar mais, tanto faz.

SM: Nós temos que confiar, mesmo que seja a decisão errada, é a certa, porque isso te ensinou a não fazer isso de novo, o que é a coisa certa – que é a única maneira que isso iria acontecer.

O lançamento de ‘Senorita‘, a nova colaboração entre Shawn Mendes e Camila Cabello – uma união carinhosamente conhecida como Shawnmila para seus respectivos seguidores – chega três dias depois que o galã canadense fez a internet derreter, postando um teaser do vídeo em suas redes sociais, mas, como o seu dueto [Camila] atesta, o mundo poderia ter esperado ainda mais para que isso se materializasse.

“A música estava em andamento há muito tempo”, Camila admite em uma ligação transatlântica para o Clash HQ. “Ele havia me enviado a ideia da música nove meses atrás, e nós meio que continuamos indo e voltando nesse meio tempo: ‘Nós estamos fazendo isso!’ E então um de nós dizendo ‘Ok, eu não quero fazer isso, ‘e depois outro falando ‘Não, eu quero fazer agora ‘, e a outra pessoa ficava tipo’ Ah, eu não quero mais fazer isso’”, ela ri.

“Demorou um pouco para que isso viesse a ser concretizado, onde ambos estavam, ‘Ok, vamos fazer isso'”.

Chegando quase quatro anos após os então adolescentes terem colaborado em  ‘I Know What You Did Last Summer’, o primeiro single do relançamento de 2015 do álbum de estréia de Mendes ‘Handwritten’ que viu Cabello se descontraindo de seu trabalho diário na Fifth. Harmony (o grupo feminino que ela saiu em 2016), ‘Senorita’ provavelmente não será uma surpresa para aqueles cujas línguas foram agitadas depois que a dupla foi vista almoçando em Los Angeles no mês passado.
Escrito pela dupla, ao lado de Andrew Watt, Benny Blanco, Ali Tamposa, Charli XCX, Jack Patterson e Cashmere Cat, “Senorita” é um conto apimentado de sedução e encontros provocantes, com um vídeo escaldante que traz à vida o romance vertiginoso de amantes encrencados no calor de Miami, e vê os dois realmente elevando a temperatura enquanto se laçam. “Quando seus lábios me despem, enganchados na minha língua”, eles cantam enquanto se despem em um quarto de hotel, “seu beijo é mortal / não pare”.

É a segunda faixa em um mês lançada pela cubana Camila, com “Find U Again”, sua contribuição para o novo álbum conceito de Mark Ronson, “Late Night Feelings”. Ronson se junta a uma lista telefônica de colaboradores responsivos – que também apresenta Pharrell, Machine Gun Kelly, Quavo, Travis Scott, Diplo, Ryan Tedder e Charli XCX – que cada um conseguiu com sucesso uma resposta única e afetiva de Camila no estúdio e na música.

Mas é em Shawn, ela diz, que ela encontrou o parceiro musical mais instintivo e receptivo.

“É uma das coisas mais naturais do mundo para ele e eu fazermos uma música juntos”, explica a criadora de hits de 22 anos. “Eu acho que eu realmente o conheço há mais tempo na indústria da música – nós estamos na vida um do outro por uns quatro ou cinco anos, e tem sido muito bonito crescer juntos … É realmente um sentimento muito bonito de saber que essa pessoa sempre estará em minha vida, sempre nos amaremos.”

Tendo experimentado simultaneamente uma ascensão vertiginosa à fama e suportado o olhar penetrante do microscópio da mídia – Camila se tornar a artista solo feminina mais escutada do Spotify no final de 2018, quando ela superou um bilhão de peças de seu single latino-americano Havana – os dois se tornaram uma rede de apoio mútuo para manter um semblante de normalidade na vida um do outro.

O vínculo deles, Camila revela, é um refúgio para o qual eles podem recorrer quando o mundo não confiável e sufocante ao redor deles começa a se sentir insuportável.

“Eu nunca tive muitos amigos”, diz ela. “Eu sempre tive algumas pessoas na minha vida em quem confio. Eu sinto que é tão raro encontrar alguém nesta indústria e encontrar uma pessoa dessa qualidade, e eu sinto que Shawn é essa pessoa para mim. Eu só confio nele, e não importa o nível de intensidade que ele tem em torno de sua carreira ou eu tenho, ele é apenas normal, e isso é tão CV e precioso de se encontrar nesta indústria. Para poder sair com alguém e você não se importa que eles sejam Shawn Mendes, entende o que quero dizer? Vocês são apenas pessoas, e isso é definitivamente algo que é raro.”

Na tarde de hoje (18), Camila concedeu entrevista para Cannes Lions festival e falou um pouco sobre o seu novo álbum, e redes sociais. Confira:

SOBRE CD:

Pela primeira vez nesse álbum não é minha imaginação,” a nomeada ao Grammy disse sobre suas canções amorosas em seu próximo disco.

Falando no festival Cannes Lions, ela disse que suas músicas novas estão quase prontas e há mais intimidade do que o álbum “Camila”.

“Quando eu estava trabalhando naquele álbum eu estava em uma pequena bolha, tinha crushes em pessoas platônicas e escrevia sobre eles e não tinha nenhum experiência em me apaixonar. Escrevi ficcionalmente,” disse ela.

“Pela primeira vez, nesse álbum, não é minha imaginação, sou eu escrevendo sobre coisas que estão acontecendo na vida real e há um nível de detalhes e emoções que você percebe que são insubstituíveis. Capturou a essência de quem sou agora. Há muitas histórias à mais para contar dessa vez. Fiquei num estúdio por um tempo e estou pronta para expor minha alma.”

SOBRE REDES SOCIAIS:

A cantora tem uma relação de amor e ódio com as redes sociais, algumas vezes ativa e outras tomando férias mesmo com os fãs implorando para que ela fique mais tempo online.

“Tenho fases em minha vida onde sinto que devo me proteger e focar em mim mesma, e estar presente no que está acontecendo comigo no momento é mais importante,” disse ela.

Um deles é trabalhar no álbum, já que ela acredita que estar ativa nas redes sociais pode afetar seu processo criativo.

“Para mim arte é sacrifício e o que é prioridade. Se isso significa que preciso tirar um tempo para mim, farei,” ela diz adicionando que comentários a afetam em um nível emocional mesmo que sejam negativos ou positivos.

“Na vida as vezes é preciso de um pouco de espaço e também ouvir a podcast Oprah Super Soul aos Domingos.”

A artista nomeada ao Grammy disse que está num modo mais expansivo atualmente já que está se preparando para lançar o CD. E enquanto não revela o som, Camila têm ouvido bastante Paramore, Coldplay e outros artistas do início dos anos 2000.

“Regras da Camila”

COSMO: Conheça Camila Cabello, a musicista mais conhecida no mundo no momento, e possivelmente uma das mais motivadas.

Camila: “Não se acomode”

“Sempre se lembre o quão melhor você precisa ser”

“Eu aprendi a usar a pressão como vantagem”

COSMO: 3 da tarde de uma terça-feira à tarde e estou sentado em frente ao vidro da recepção do escritório de publicidade de Camila Cabello. Cabello está no meio de um turbilhão de turnês de publicidade em Londres e está atrasada. Mas essas coisas acontecem. Nas últimas 72 horas, a cantora já fez um ensaio de fotos para a Cosmopolitan, uma entrevista na Radio 1 com Nick Grimshaw, uma performance de Dancing On Ice [programa de TV britânico], outro ensaio de fotos street e pelo menos mais seis entrevistas diferentes para televisão.

Dez minutos depois, alguém de sua equipe aparece.

“Camila está pronta pra você agora”, ela sorri.

Eu sou conduzido a uma sala de reuniões com uma mesa de reunião no meio. Do tipo que se espera encontrar Donald Trump sentado no final, e não uma mulher pequena e dócil cujas franjas marrons caem sobre o rosto como um par de cortinas de uma mansão.

Uma mulher mais velha se senta ao seu lado de maneira protetora enquanto a jovem mulher folheia atenciosamente uma revista, dobrando os cantos das páginas com frequência. Essa é Camila Cabello, a maior estrela do pop no mundo, cercada por sua mãe.

CC:”Oi”,

COSMO: ela acena para mim enquanto sua mãe sorri e então se retira silenciosamente. Ela me diz que está cansada. Eu conto que estou cansado também, já que voei de LA na noite passada. Ambos rimos.

CC: “Só estou procurando por roupas que eu goste”,

COSMO: ela sorri ao continuar folheando a revista.

Poucos musicistas jovens podem competir com a trajetória de Cabello. Ela foi quem encontrou fama aos 15 anos no The X Factor (US) ao ser colocado em um grupo montado por Simon Cowell. A banda era Fifth Harmony, um dos girlgroups de mais sucesso nos últimos seis anos. Elas tiveram dois álbuns top 10, múltiplas turnês esgotadas, e então, no auge de sua fama, Cabello simplesmente sai. As companheiras de banda disseram estar “machucadas e confusas”, e pareceram demonstrar tais sentimentos ao empurrarem uma ‘Camila’ boneca do palco durante uma perfomance no VMAs da MTV no ano passado (e anunciaram um hiatus da banda em Março).

Mas nesse meio tempo, Cabello planejava silenciosamente, se preparando para liberar seu trabalho solo para o mundo. Em Agosto, ela simplesmente o fez. Havana, um single pop de influências latinas que homenageia a cidade onde ela nasceu, tem sido tocado em todas as estações de rádio no mundo e alcançado o número um em 22 países, incluindo os Estados Unidos e o Reino Unido, e assim permaneceu por cinco semanas.

Seu álbum, Camila, esteve entre o topo do iTunes em 99 países em Janeiro e foi direto o número um nos EUA. Ela também teve uma turnê esgotada, em um dia.

CC: “Nunca se acomode. Não importa o que qualquer pessoa me diga, eu sei que eu preciso de mais que um bom álbum para ter uma carreira”,

ela diz. “Mesmo quando alguém me diz que as estatísticas e números são incríveis, eu relembro a mim mesma de que se não se pode manter isso por uns 15 anos, como as maiores pessoas fizeram, então… é por isso que gosto de olhar para pessoas como Prince e Madonna porque isso me relembra – “Você tem muito o que fazer, querida, antes de parar de prender e crescer””.

COSMO: Ela acrescenta,

CC:“nunca deixe subir para a cabeça e lembre-se sempre o quão melhor você precisa ser.”

COSMO: Com uma conversa dessas, é fácil se esquecer que Cabello tem apenas 21 anos e ainda vive com os pais em Miami. Não restam dúvidas de que ela possui uma cabeça madura, visto que ela vem trabalhando solidamente com a indústria da música desde seus 15 anos, quando fez uma audição para o The X Factor (US).

CC: “Muitas das coisas que tive que aprender aos 15 anos ainda são praticadas por mim. Eu seria muito pior se eu não as tivesse aprendido. No The X Factor, eu aprendi a usar a pressão como vantagem,”

COSMO: ela explica.

CC: “Tanto que agora eu sinto que posso lidar com situações de pressão – onde você afunda ou nada. […] Isso me deu determinação.”

“Sempre que recebia muita atenção, entrava em pânico.”

COSMO: Ela nem sempre quis ser uma cantora, no entanto. Crescendo em Cuba e após se mudar pro país de origem de seu pai México, ela continuou tímida.

CC: “Tipo muito introvertida,”

COSMO: ela conta. Sua família imigrou pros Estados Unidos, ficando em Miami quando ela tinha 7 anos. “Eu era uma nerd de all stars.” ela acrescenta.

CC: “Música sempre foi meu hobby, mas nunca cantei publicamente. Eu choraria se minha família me pedisse pra cantar para eles. Ou quando cantavam parabéns para mim, porque quando recebo muita atenção, eu entro em pânico. Até hoje, quando estou dando entrevistas, e tem mais de oito pessoas na sala eu fico com ansiedade. É como se tivessem duas partes diferentes de mim.”

COSMO: Então veio como uma surpresa para a família de Camila quando ela anunciou que, para seu aniversário de 15 anos, ela queria ir às audições do The X Factor (US).

Ela me conta a história da festa latina ‘quinceañera’.

CC: “Basicamente, quando você faz 15 anos, os latinos tem esse costume. É como a comemoração americana ‘Sweet 16’, só que aos 15. É quando você se torna uma mulher.” ela sorri.

“Eu estava tipo ‘eu nunca tive uma festa de aniversário e não sei se quero agora’ ao invés disso, eu quis que me levassem ao X Factor – que estavam fazendo audições na Carolina do Norte.”

COSMO: Seus pais concordaram, fizeram as malas e levando sua avó junto à uma viagem de 13 horas. Éramos só nós nesse minúsculo carro durante todo o percurso.” Camila não passou da fase ‘boot camp’, mas mais tarde foi convocada por Simon Cowell e outros jurados para formar o grupo Fifth Harmony juntamente com Ally Brooke, Normani Kordei, Dinah Jane e Lauren Jauregui.

CC: “Nós fizemos muita coisa juntas e passamos pelas mais transforma… transforma… transformadoras! Transformadoras experiências. Desculpa, não tenho dormido por umas duas semanas! Eu fui exposta à área de trabalho que era o meu sonho.” Mas foram cinco anos intensos, fazendo turnês intermináveis por shoppings no começo da carreira. “Eu só lembro de ter espinhas,” diz Cabello. “Espinhas horríveis. Isso é tudo de que me lembro…”

COSMO: O jeito como tudo acabou é um assunto ainda desconfortável para Camila. É a única parte que ela não gosta de falar sobre na entrevista, e me disseram anteriormente que ela não gosta que levem a entrevista a esse assunto. Mas o que é claro é que ela se sentia sufocada no grupo – e começou a escrever material solo desde cedo.

CC: “Comecei a escrever aos 16 anos.” revela Camila.

“Na mesma época em que eu estava gostando de um menino e sendo correspondida. Quando estávamos em turnê, em nossos dias de folga, eu só ficava no meu quarto de hotel e escrevendo no meu laptop.” Sobre o quê ela escrevia? “Meu primeiro namorado, primeiro beijo, primeiro encontro… Eu tinha um bocado de músicas escritas e eu queria me expressar completamente,” ela diz.

COSMO: Logo, sair sozinha e estar no controle das decisões de sua carreira foram incrivelmente libertadores. Você sentiu um peso sair das suas costas?

CC: “Sim, definitivamente,” ela diz. “Ainda me faz bem… Eu amo tomar todas as minhas decisões, porque o produto disso foi algo que me representa completamente. É como fazer meu próprio café da manhã. Tem um gosto melhor do que o de um restaurante, porque é seu, porque você o fez. Foi assim que me senti.”

COSMO: Quando ela saiu da banda, ela tirou suas primeiras férias em cinco anos – uma semana em Cancún. Mas não demorou muito para ela se sentir vazia novamente. E, como resultado, Cabello é muito restrita com o seu honorário esses dias – apesar de que, ela está claramente exausta de toda essa viagem da tour promocional.

CC: “A única coisa que foi difícil [sobre seguir carreira solo] foi que houve um ponto onde eu não tive vida porque estava trabalhando sempre,” ela relata. “Eu estava tipo, ‘Eu realmente preciso de equilíbrio. ‘ E foi assim essa pressa que não tinha tempo. Com poucos meses eu estava falando pra mim mesma, ‘Isso não está me ajudando. O trabalho seria melhor se eu trabalhasse menos intensamente.'”

“Às vezes se as coisas estiverem tipo..” ela inspira longamente para demonstrar sufoco. “Se você não tirar um segundo para ter outra perspectiva, você começa a ver coisas como elas não são.”

COSMO: Outra coisa com a qual Camila teve que lidar foi com seu TOC. Ela disse que, em um certo ponto, ele a acordava “com um batimento cardíaco acelerado e pensamentos bem negativos, intrusivos e compulsivos.”

Hoje ela admite,

CC: “TOC é estranho. Eu sorrio com isso agora. Todo mundo tem diferentes maneiras de lidar com o estresse. E, para mim, se eu fico muito estressada com algo, eu começo a ter o mesmo pensamento várias e várias vezes, e não importa quantas vezes eu chegue numa solução, eu sinto como se algo ruim estivesse prestes a acontecer se eu não continuo pensando nisso. Eu não sabia o que era isso e quando descobri, e aprendi como controlar isso, me senti muito melhor. Eu me sinto muito mais no controle agora. Até o ponto em que eu estava tipo, ‘Aha! Ok, isso é só meu TOC.’ Eu perguntaria uma pergunta à minha mãe pela 4ª vez e ela estaria dizendo, ‘Isso é o TOC. Você tem que deixá-lo ir.'”

COSMO: Cabello aprendeu técnicas de como lidar com isso. “Você não pode entretê-lo e pensar em outra coisa. É tipo se coçar. Você só tem que fazer outra coisa ou você vai acabar encorajando a coceira.”

Trabalhando na indústria musical, ela se preocupa em se exaurir.

CC: “Eu odeio pensar nisso,” ela diz. “Eu não quero ser uma fonte de dor. Isso é um crime para mim porque é a coisa que eu mais amo no mundo. Não quero torná-la em algo que me faça infeliz. Então eu sou muito cuidadosa em relação à minha carreira. Quando sinto que estou chegando a esse ponto, eu falo, ‘Precisamos tirar algumas coisas, você tem que me dar mais dias de folga, algo tem que acontecer.’ Quando você está exausta, você só quer acabar com tudo, e você não quer acabar com algo que você se importa tanto.”

COSMO: É em casa, em Miami, que Cabello escolhe relaxar. “Sinceramente, eu assisto muitos filmes como Harry Potter. É minha coisa favorita de fazer. Eu apenas amo estar na minha casa com minha família. No meu quarto, sozinha. Eu amo isso. É a melhor coisa.”

CC: “Eu passei muito tempo pensando que se eu precisasse descansar então eu não estava trabalhando o suficiente, e agora eu penso o oposto. Eu preciso de tempo para mim mesma, para ser criativa e pensar em ideias e ter experiências com as quais eu possa crescer, escrever sobre e transformar em arte. E não pela minha carreira, mas por mim. Para minha satisfação pessoal. Ninguém ganha nada de mim enquanto estou assistindo Friends o dia todo com meus amigos. Mas é só pra mim, e essa já é uma razão boa o suficiente.”

COSMO: Estar longe de casa é a coisa mais difícil que Camila encontra em sua carreira. “Até hoje é difícil,” ela suspira.

CC: “É a parte mais difícil – estar longe de minha família. Eu não quero nunca me mudar pra Los Angeles porque eu não posso viver longe deles.” Então, quando ela viaja, leva sua mãe junto. “É muito legal, ela é minha melhor amiga. Minha outra metade.”

COSMO: Isso a mantém firme.

CC: “Tem algo sobre estar com sua mãe. Você se sente como uma criança. E sua família não se importa se você fez besteira ou flopou ou se sua música não foi um sucesso. Eles te amam independentemente e isso é muito importante para mim.”

COSMO: Outra pessoa com quem Camila passa muito tempo é com Taylor Swift. Elas se conheceram no VMAs há quatro anos atrás.

CC: “Sim – ela diz sorrindo -, eu a amo. Nós só conversamos sobre garotos. Ela ama amar, e amamos falar sobre isso. É divertido só conversar e sonhar.”

COSMO: Quanto a pergunta de se existe um homem no momento, Cabello não comenta. Mas recentemente ela foi fotografada beijando o britânico coach de relacionamentos e expert em relações da revista US Cosmopolitan’s Matthew Hussey numa praia em San Lucas.

A publicitária de Camila entra na sala e diz que precisamos trocar de sala pois precisam usar o espaço. Nós nos mudamos para sala ao lado, mas eu posso sentir que as últimas duas semanas tiraram o vigor e Camila está fraca.

Como ela lida com o Jet Lag?

CC: “Eu apenas lido com ele, com adrenalina e também alegria. Você tem que ser feliz pois assim se sentirá menos cansada.”

Mas ainda está complicado. “Eu não tenho muito tempo, porque estou sempre trabalhando. E também ficar viajando por lugares diferentes pode ser solitário.” Então seria ela uma viciada em trabalho? “Sim,” ela responde. “Mas eu queria que tivesse mais tempo para que eu pudesse fazer tudo que eu quero. Eu sinto que sou viciada em sonhos. Eu não trabalho só para fazer algo, mas eu sempre tempo que inventar algo novo. Surgir com uma nova música ou ideias para um novo álbum ou clipe.”

COSMO: Ela se considera uma mulher de negócios?

CC: “Aí é que está,” ela diz. “Eu odeio a palavra ‘dinheiro’. Simplesmente não… [suporto]” Ela dá uma pausa, pensando, antes de continuar, “Meu pior medo é fazer um álbum para que ele venda muito ou seja muito bem sucedido. Não quero ser a pessoas que faz músicas no estúdio dizendo, ‘A rádio vai amar isso’ ou ‘Nós ficaremos ricos depois desse single.’ É nauseante para mim. Eu só preciso do suficiente para deixar minha família e eu confortáveis, e têm sido uma bênção para mim poder ajudá-los dessa maneira.”

COSMO: Com isso, nós concluímos a entrevista, porque é o horário do próximo entrevistador.

CC: “Descanse um pouco,”

COSMO: ela diz e eu digo como resposta, “Você também.”

“OK,” ela responde.

Do lado de fora, está um caos. Outro jornalista está esperando para entrar para seu turno, junto com uma grande equipe de filmagem. Mais tarde ela precisa ensaiar para os BRITs, aonde ela estará apresentando um prêmio amanhã à noite. Algo me diz que Cabello não conseguirá o descanso que ela corre atrás por mais um tempo.

CAMILA, o álbum, já está disponível.

 

Fonte: Cosmopolitan UK

Tradução e Adaptação: Equipe CCBR.

The Dan Wootton Interview Podcast com Camila Cabello

The Dan Wootton Interview Podcast com Camila Cabello (37:25)

Parte 1

Dan Wootton: Camila, seja bem-vinda ao meu Podcast

Camila Cabello: Oh Dan!!! Eu amo o seu podcast, e está aconhegante aqui.

– Dan: Eu estava desesperado para ter você aqui já faz um bom tempo. Parece que faz muito tempo que nos conhecemos

– CC: Faz quanto tempo? Porque eu lembro claramente, eu estava tentando tirar uma foto do Big Ben

– Dan: Nós estávamos nos dirigindo ao Rio Tamisa…

– CC: E tivemos que dar várias voltas? Eu lembro!

– Dan: E você era só uma adolescente, e uma membro do Fifth Harmony. E agora, você é uma das maiores estrelas pop solo do planeta!

– CC: Obrigada e agora eu sou uma mulher!

– Dan: Sim!

– CC: Eu terei 21 anos em breve, meu Deus é o nosso aniversário em breve…

– Dan: Sim, porque você completa ano um dia depois de mim, então somos de peixes.

– CC: Sim

– Dan: Mas agora Camila, eu sei que você não vai acreditar o que eu vou falar mas mesmo quando você ainda estava no grupo eu sempre soube que você ia se destacar, me lembro que depois você me mandou uma DM e eu pensei, uau para uma pessoa tão nova mas que já tem ambição, é legal com todo mundo e incrivelmente talentosa também.

– CC: Obrigada

– Dan: Mas acredito que naquele tempo, você estava apenas vivendo o sonho de uma adolescente como membro de uma girlgroup

– CC: Isso, naquele tempo eu só estava tentando me livrar das minhas espinhas, risos, e isso foi quando nosso álbum foi lançado, certo?

– Dan: Certo, e acho que foi sua primeira viagem ao Reino Unido.

– CC: Uau, isso é maluco, a primeira vez foi um borrão, eu queria que o nosso cérebro fosse capaz de gravar tipo um filme, e nós pudéssemos assistí-lo depois. Porque tantas coisas acontecem ao mesmo tempo que é difícil de lembrar de tudo.

– Dan: Concordo, e especialmente por estar em uma girlgroup ou em um boygroup pois eu já tive vários membros do 1D nesse podcast e eles me contaram a mesma coisa, é muita pressão de quando você está naquela bolha…

– CC: É super intenso.

– Dan: E isso faz com que você não aproveite tudo que está vivendo e fazendo. Sabe?

– CC: Sim, certamente. Porque todas do grupo tem que estar obrigatoriamente na mesma vibe e é muita pressão, e o que tínhamos em comum com o 1D é que todos começamos muito jovens. Acho que nós (5H) éramos ainda mais jovens que eles (1D).

– Dan: Você tinha 15 anos quando fez sua audição pro X Factor, né?

– CC: Sim, tinha 15. Acho que o que temos em comum é que éramos todos jovens e sem experiência na indústria da música.

– Dan: E também vocês não se conheciam, foram colocadas juntas pra formar a banda.

– CC: Isso, exatemente. Eram todas essas experiências que nós não estávamos mentalmente prontos preparados, sabe? Tem crianças que com 3 anos já fazem aulas de canto e audições e tudo o mais, mas com 15 eu só cantava no meu quarto e de repente o seu palco é o mundo inteiro. E isso pode ser muito difícil pra lidar, mas eu lembro de ser um monte de pressão intensa e sem saber o que é que estava acontecendo, risos. Mas também tinham vários momentos lindos que me fizeram sentir viva como eu nunca teria tido se eu não estivesse em um grupo.

– Dan: Agora Camila, é o quadro Aleatório, deletar ou repetir e você terá que escolher dentre suas próprias músicas.

– CC: Ok

– Dan: A primeira é Never Be The Same, Havana, e Crying in the Club

– CC: Repetir Never Be The Same, Colocar Havana no aleatório e deletar Crying in the club.

– Dan: A que não entrou no álbum, risos.

– CC: É, então acho que eu já a deletei, não?

– Dan: Mas sabe qual música sua eu amo, mas que não entrou no álbum?

– CC: Deixa eu adivinhar, I HaveQuestions?

– Dan: Isso, eu abosolutamente a amo.

– CC: Mas sabe, você não preferiria músicas novas no álbum? E além do mais, ela é bem obscura então mesmo quando eu estou fazendo um show é difícil cantá-la porque eu vivo junto com a minha música, então se eu estou feliz eu não vou querer cantar uma música triste;

– Dan: Mas quando eu estiver na platéia, você vai ter que cantá-la, ok?

– CC: Tá certo, negócio fechado. Farei uma versão acapellapra você.

– Dan: No processo da criação do seu primeiro álbum tem um certo ‘hype’ do que você irá fazer, porque você é amiga da Taylor Swift, já tem uma música com Shawn Mendes então as pessoas esperam que assim como eles você tenha uma carreira de sucessos como estrela solo. O que aconteceu, mas naquele tempo que você ainda estava no fazendo o álbum você sabia que seria um sucesso? você queria que fosse um sucesso? porque a pressão para isso acontecer ao sair solo deve ser grande.

– CC: Sim, bem… Eu acho que no tempo que eu fiz IKWYDLS eu não tinha planos de ir solo, era só uma música a parte que eu gostei muito de fazer e que a gravadora dele queria como single, e ele não tinha um álbum pra colocá-la. Então eu não estava planejando sair solo até então, mas eu não sentia essa pressão de estourar uma música porque eu não escuto esse tipo de comentário porque não é legal você confiar demais que algo vá ser um hit. E eu nunca gostei de ser ‘amostrada’, nem que fosse na minha cabeça tipo “Oh, eu sou isso e aquilo…” eu sempre pensei o oposto, sempre duvidei de mim mesma e pensava que talvez não fosse tão boa quanto eu possa ser, sabe o que quero dizer?

– Dan: Você sempre foi o membro mais doce daquela banda…

– CC: Ai, obrigada.

– Dan: E eu já falei com várias pessoas da Syco, e é isso o que todos tem a falar sobre você desde aquele momento. Mas você se sente desconfortável de ser vista como amiga da Taylor Swift e que ela te cobrava muito profissionalmente?

– CC: Eu fico incomodada quando falam isso de forma negativa, porque eu sou muito protetora dos meus amigos e tenho minha própria cabeça, ninguém vai me persuadir a fazer algo, se eu não quero fazer alguma coisa o mundo todo pode estar me dizendo pra fazer mas eu não farei. Sempre fui assim, então me chateia que pensem que ela fala sobre isso, porque pra ser sincera ela (TS) nunca falou sobre músicas/indústria. Sempre que nos falamos, conversamos sobre amor e garotos, nossa amizade é muito inocente e pura, e eu protejo muito minhas amizades na indústria. Assim como com o Shawn, nós podemos até falar sobre a indústria mas temos muito mais assunto pra conversar, e eu não me importo com o que a imprensa fala.

– O top 5 –

– Dan: A cada semana, estarei perguntando aos meus entrevistados qual o top 5 deles, qual a música que os fizeram se tornar cantores, ou a música que os lembra de um ente querido que já faleceu, então queremos o seu top 5 Camila, quais músicas são mais importantes pra você? Diga sua 1ª escolha.

– CC: Ok, minha primeira escolha seria “Wake Me Up” do Ed Sheeran. Esse álbum “+” foi o primeiro álbum que me fez querer começar uma carreira e me fez querer tocar violão e escrever sobre amor, me fez querer viver um amor. Esse álbum foi um momento bonito e inocente da minha vida e foi pouco antes de me inscrever pro The Voice, tinha uns 14 anos, era verão e estava descobrindo o Ed Sheeran, One Direction… Estava apenas escutando músicas e cantando karaokê o tempo todo e amando a cultura pop, eu literalmente fiquei em casa o verão todo escutando aquele álbum

– Dan: Qual sua escolha número 2?

– CC: “Sugar We’reGoing Down” do “Fall Out Boy”, eu acho que estava entrando nesse mundo punk rock quando eu tinha 17 anos e foi logo após o X Factor e era tipo eu voltando a minha rotina e sendo uma adolescente, experienciando coisas novas, ficando com o garoto que você gosta… isso te faz querer ouvir músicas românticas dos anos 90. E isso me fez quase ficar louca.

– Dan: Música 3?

– CC: Eu vou dizer… “Chan Chan” dos “Buena Vista Social Club” essa foi a música que eu ouvi o dia inteiro antes do meu discurso no Grammy desse ano. É a música que quando eu tô muito, muito ansiosa pra algo eu a ouço e penso de onde a minha família veio e no que a minha família fez pra mim e eu me imagino num lugar com essa temperatura quente e úmida, como Cuba ou México, e ela me recorda o porque música é tão importante pra mim e o porquê trabalho com isso.

– Dan: Música 4!

– CC: “Your Song” do “Elton John” essa foi uma das escolhas de qual música eu iria cantar pra entrar no X Factor e quando eu disse pra minha família que ia me candidatar pro X Factor eu nunca tinha cantando na frente deles antes, e eu era muito tímida e toda vez que estava cantando no meu quarto e minha família tentava entrar escondido e me filmar eu ficava tão envergonhada que eu abaixava minha cabeça e queria chorar, e eu lembro do dia que disse que queria entrar pro X Factor e eles disseram “Ok, mas precisamos ouvir você cantar, pelo menos uma vez.” E eu disse ok, eu os fiz ficarem de costas e não olharem pra mim e eu cantei essa música pra eles no porão.

– Dan: Que memória incrível, eu amei. Amo essa música, então Camila qual música completa seu top 5?

– CC: Ok, “The Heart of Life” do “John Mayer” eu amo o John Mayer e lembro de quando estava passando por um tempo difícil e estava no carro com minha mãe e essa música começou a tocar, então eu comecei a chorar. Mas depois de ouvir essa música tudo ficou bem. (15:18)

– Dan: Vamos falar sobre a sua transição até artista solo, deve ter sido aterrorizante, não?

– CC: Sim, eu pareço estar aterrorizada?

– Dan: – Eu gosto de ver as entrevistas que você vem dando desde então, e você diz que as músicas solo que estava lançando quando ainda era parte do 5H eram apenas para encontrar você mesma. Mas você ficou surpresa com a repercussão que sua saída do 5H provocou?

– CC: Sim, isso porque eu fico o mínimo de tempo nas redes sociais e eu fiz essa decisão um ano depois do X Factor e foi a melhor decisão que eu tomei, então eu não sei a magnitude que a minha saída do grupo realmente causou. Eu gosto de andar por Miami em sandálias, sem ligar pra minha aparência então não fico muito nas redes sociais. Eu soube de um pouco da proporção que minha saída causou, não esperava tudo isso e honestamente eu não queria saber disso. Eu só sabia de tudo por conta das inúmeras mensagens que recebi, então não li nenhum artigo de revista sobre o assunto, nem nada. Eu estava protegendo o meu espaço pessoal, a única coisa que me deixou nervosa foi o fato de eu ser uma pessoa anti confrontamentos e nas entrevistas eu era sempre perguntada sobre o tópico e ficava respirando mais rápido e tinha que tomar cuidado com tudo o que dizia, pra não interpretarem mal e publicarem, pra não colocarem fogo na gasolina. E quanto mais eu dava entrevistas, mais eu ficava confortável em falar da minha saída do grupo.

-Dan: Eu quero falar sobre um assunto que você não gosta de falar sobre, mas queria saber como se sentiu ao saber sobre a performance das Fifth Harmony no VMA porque o mundo todo sabe, mas tinha a sua personificação como um manequim que foi jogado pro fundo do palco. Você viu aquilo, e qual foi sua reação?

-CC: Bem, eu falei sobre isso uma vez e eu instantaneamente me arrependi, porque nada bom sai da minha boca quando falo sobre isso, e também eu genuinamente não tenho nenhum sentimento ruim em relação à elas. Eu estou feliz com minha vida agora e não apenas na minha carreira, mas também na minha vida pessoal. Eu nunca me senti tão feliz na minha vida como agora, não tenho espaço, nem desejos pra ficar guardando rancor das pessoas. E o motivo pelo qual eu não falo sobre o assunto é porque eu não quero brigar, eu não quero sentimentos ruins pra mim, então eu as desejo o melhor, eu só tenho amor por elas, e por toda a jornada que passamos juntas. Agora já fazem 1 ano e meio e eu respeito todo o tempo e as memórias que compartilhamos, sabe? Eu não quero desrespeitar isso.

– Dan: Esse é o momento que o entrevistado tem o poder nas mãos, então tem um minuto pra fazer perguntas pra mim, o quanto mais possível.

– CC: – Camila faz várias perguntas pro Dan –

– Dan: Então Camila, agora você é uma personalidade da mídia e semana passada você foi fotografada com um homem, ele apresenta um programa de TV nos EUA que eu nem sabia. Eu sei que você não gosta de falar de sua vida pessoal mas tenho que perguntar se você está feliz, e se está apaixonada.

– CC: Quer saber, eu estou. Estou muito muito feliz, eu sempre fui uma pessoa privada e a coisa mais difícil dessa indústria é me livrar dessa privacidade. Preciso guardar coisas pra mim pra que elas continuem especiais, mas respondendo sua pergunta eu estou muito feliz na verdade.

– Dan: Muitas pessoas não colocaram suas apostas na música Havana, por exemplo. Mas depois ela se tornou uma das músicas mais icônicas no mundo inteiro no último ano.

– CC: Sim, e é louco essa foi de longe a música mais difícil de escrever do álbum inteiro e demorou 4 meses, nós produzimos 4 músicas mas deixávamos Havana sempre de lado, até que um dia um produtor falou “oh, o refrão de Havana é muito bom” e tentamos trabalhar na música por 2 semanas mas não conseguíamos escrever nada mais, só o refrão estava feito. E foram 3 meses tentando escrevê-la, mas nada saia. Tenho até um vídeo no qual estou no banheiro tentando terminar de escrever a música, e é incrível que ela se conectou com as pessoas depois de eu quase arrancar todos os meus cabelos tentando terminá-la. Teve um período que meu produtor disse pra desistir da música, pois eram apenas 15 segundos prontos e eu até perdi a esperança nela, mas no meu aniversário o Pharell Williams foi ao estúdio conosco e nos ajudou a concluir a música. Em 20 minutos conseguimos dar continuidade a música, e eu falei “Hoje é meu aniversário e essa música será o meu presente”, então 3 de Março é o aniversário de Havana.

– Perguntas & Respostas –

– Dan: Seu primeiro animal de estimação?

-CC: Ringo, ele era um labrador e era um anjo lindo em forma de cachorro. Era o cachorro mais doce possível.

– Dan: Seu primeiro emprego?

– CC: Cantora! haha

– Dan: Primeira escola?

– CC: Não lembro, mas a 2ª foi ‘Pine Christ’

– Dan: Primeiro amor?

– CC: Eu te direi (em privado).

– Dan: Primeiro funeral?

– CC: Ainda não aconteceu

– Dan: Primeiro beijo?

– CC: Eu tinha 16 anos e quase desmaiei.

– Dan: Eu acho que você tem algo bem autêntico no modo em como cria suas músicas, e acho que muitas pessoas ficaram surpresas ao saber das suas raízes cubanas. Porque você mora em Miami, e acho que com 7 anos foi quando você se mudou da Cuba pros EUA.

– CC: Sim.

– Dan: E claramente isso a moldou pra ser quem você é hoje, como no Grammy onde você segurou essa batata quente que é o problema político dos EUA que são os Dreamers, e os jovens que vieram pra América se conectam com isso. É algo que você se envolve muito.

– CC: Sim, claro. Tudo parece tão cruel e injusto que essas ‘crianças’ convivam com o medo e ansiedade que a qualquer momento elas podem ser deportadas pros seus países de origem, que eles podem nem se lembrar, podem não lembrar mais a língua, cultura…

– Dan: Isso, mas isso acontece porque eles vieram ilegalmente

– CC: Sim, eles devem ter vindo com 6-7 anos e agora já são adultos que já estão na faculdade ou até mesmo trabalhando. Me parece que essas pessoas já construíram suas vidas por aqui, eles já fazem parte da nação.  Então me parece muito cruel que do nada o governo os faça sem-teto. Sabe? Eu também vim com 7 anos com a minha mãe, meu pai é Mexicano, eu sou Mexicana/Cubana e eu me coloco no lugar desses jovens. É totalmente injusto e eu poderia estar na situação dele, então eu não posso deixar os Dreamers de lado e não colaborar.

– Últimas vezes –

– Dan: Quando foi a última vez que se sentiu assustada?

– CC: Oh meu Deus, ontem eu fui ao meu quarto e estava tentando tirar um cochilo e queria fazer um momento legal pra mim, então acendi umas velas mas fiquei paranoica com medo de que o quarto fosse pegar fogo, então eu ficava abrindo os olhos pra checar se o quarto não estava pegando fogo. E se isso fosse pra acontecer com alguém seria comigo.

– Dan: Sua última refeição?

– CC: Minha última refeição foi Sushi

– Dan: Que inveja, última pessoa com quem você falou ao telefone?

– CC: Hmmmm, não posso dizer.

– Dan: Última pessoa que você conheceu que a fez se sentir nervosa?

– CC: Bono!

– Dan: E por fim, última vez que você usou transporte público? E não vale dizer avião particular, tá?

– CC: Eu nem quero um avião particular, eu só usei uma vez e fiquei tão enjoada que eu e meu empresário quase vomitamos.

– Dan: Eu queria muito usar o metrô de Londres, porque eu gosto de metrô.

– Dan: Eu soube que você estava confiante no seu álbum Camila quando descobri que você tinha rejeitado uma música do Ed Sheeran, e ele disse recentemente que quer dar a música que vocês fizeram juntos pras Little Mix, você soube sobre isso?

– CC: Sim! E eu achei incrível, eu posso vê-las cantando essa música também.

– Dan: E você gostaria de trabalhar com o Ed numa música em espanhol?

– CC: Sim, claro. Nós estávamos conversando e surgiu a ideia de fazer uma música com um cantor Latino chamado Alejandro Sans que é simplesmente um dos melhores do mundo.  As letras que ele compõe são as melhores na minha opinião. Então estávamos pensando em fazer uma música comigo, Ed e Alejandro, e achei incrível eu quero muito trabalhar em qualquer coisa com ele (Alejandro), ele tem muitas músicas que ajudaram a formar a minha vida, ele é uma das minhas inspirações musicais e eu o amo, amo ser amiga dele e poder sair com ele.

– É essa a sua vida? –

– Dan: Você tomou drinks no meio do oceano?

– CC: Ugh! Bem verdade.

– Dan: Você não consegue pedalar uma bicicleta sem estabilizador?

– CC: Verdade.

– Dan: Ah eu também! Número 3, Michelle Obama disse que Havana é uma de suas músicas preferidas em 2017?

– CC: Mentira, foi o Barack Obama.

– Dan: Acertou! Você foi a quinta cantora a ter um single debut e um álbum debut no topo das paradas da Billboard ao mesmo tempo?

– CC:  Hmmm, falso.

– Dan: Correto, você foi a 3ª pessoa a fazer isso. Depois de Beyoncé em 2003 e Britney Spears em 1999, então seu recorde foi ainda maior. Você tinha uma conta de fã no twitterpra a banda 5 SecondsOf Summer?

– CC: Hahaha, isso seria engraçado, mas é mentira.

– Dan: Foi pro One Direction, né?

– CC: Sim!!

– Dan: Uma vez você estava alisando seu cabelo e o alisador pegou fogo?

 – Mentira, foi o secador.

– Dan: Você ama os comerciais da TV Britânica?

– CC: Sim, *imitando sotaque britânico*

– Dan: Você se vestiu como uma banana pra festa de Halloween da Taylor Swift?

– CC: Falso, fui de vovó gordona.

– Dan: haha foi a vovó que sentou no gato.

– CC: Sim!

– Dan: Sua vó uma vez tweetou o número de telefone da sua mãe?

– CC: Verdade, te amo mamãe.

– Dan: Você beijou o Nick Jonas na virada de ano?

– CC: Sim, e foi quente. Tô brincando, foi só na bochecha.

– Dan: Você não conseguiu entrar no coral da escola na 4ª série?

– CC: Verdade!

– Dan: Você nunca leu um livro de Harry Potter?

– CC: Mentira, eu amo Harry Potter.

– Dan: Se você não fosse uma cantora, seria uma dentista?

– CC: Quer saber? É falso, eu uma vez disse isso mas eu devia estar sonolenta, não consigo lembrar de querer ser uma dentista. Enquanto criança as pessoas me perguntavam o que eu queria ser e eu inventava coisas pra não dizer que queria ser cantora. Mas eu odeio ir ao dentista, odeio o barulho da maquininha.

– Dan: Camila, muito obrigado por vir ao meu programa, é incrível ver o quão longe você chegou, meus parabéns.

– CC: Obrigada Dan!!

Fonte: The Dan Wooton Podcast

Tradução e Adaptação: Equipe CCBR.