Em uma tarde em março de 2012, Simon Cowell tirou um tempo para fumar nos bastidores do Greensboro Coliseum na Carolina do Norte, onde ele estava julgando as audições para o X Factor americano, quando encontrou uma garoto deitada no chão, soluçando.

A garota era Camila Cabello. Ela tinha acabado de fazer 15 anos, e para seu aniversário pediu a seus pais – imigrantes cubanos vivendo em Miami, que se sustentavam como assistente de compras e lavador de carros – para dirigir por 12 horas desde sua casa até as audições. Cabello explicou a Cowell que após ficar aguardando por dois dias para ver os jurados, ela havia acabado de ser avisada que o tempo tinha acabado e ela deveria ir pra casa.

Aparentemente ela era uma reserva”, Cowell me contou ao telefone. “Então eu disse a ela: ‘Escute, eu não tenho ideia do que você está falando ou o que um reserva é, mas já que você está aqui, venha e faça a audição”. Cinco minutos depois, ela cantou [Aretha Franklin – Respect] na frente de 7,000 pessoas e foi sensacional.

Cabello tem uma moldura pequena e uma voz gigantesca e inebriante. O que deixa a desejar em requintes técnicos, ela recupera com paixão jovial e melodrama romântico. Cowell tornou sua carismática descoberta como a (não oficial) líder de um grupo composto por outras 4 concorrentes e o Fifth Harmony nasceu. Após terminar a competição em terceiro lugar, elas assinaram com a gravadora Syco, de Cowell, tornando-se uma espécie de versão feminina de seu outro grupo do X Factor, One Direction. Em meses, Fifth Harmony conquistou um álbum de lançamento de platina com músicas de tema feminista, uma turnê mundial esgotada, duas performances na casa branca e dezenas de milhões de jovens fãs.

Para Cabello, aquele era apenas o início. Ano passado, Havana, o segundo single de seu álbum de estreia que atingiu o primeiro lugar, veio para definir o verão – um feito raro na era da saturação do streaming, onde cada hit é ofuscado pelo seguinte em uma questão de dias. Havana tornou a cantora a primeira artista feminina a ter um bilhão de reproduções com uma única música. Você sendo ou não um fã de Cabello, você já a ouviu.

Nesse verão, a jovem de 22 anos repetiu o impossível. Señorita, uma música romântica latina do seu segundo álbum a ser lançado, com a presença da igualmente estrela pop (e, a partir de julho, namorado) Shawn Mendes, mais uma vez conquistou os charts. Um casal poderoso: de acordo com o Spotify, serviço de reprodução de música online, Mendes, de 21 anos, e Cabello, que ganharam 2 MTV VMAs por Señorita semana passada, são os artistas mais ouvidos no mundo depois de Ed Sheeran. “Havana foi um tipo de sucesso ‘único para toda a vida’ e ela apenas… fez isso mais uma vez.”, diz o empresário de Cabello, Roger Gold, que primeiramente conheceu a cantora enquanto era advogado do grupo Fifth Harmony. “Nunca pensamos que seria algo tão massivo”

Quando eu repito as palavras de Gold de volta para Cabello tomando um leite com cereais em um café vegano em Montreal – a mais recente parada da turnê mundial de Mendes – ela sorri. “Foi o mesmo com Havana”, ela diz, mantendo o olhar na janela para os fãs que estão acampados fora do hotel onde ela e Mendes estão hospedados, desde quando os dois foram vistos andando adoravelmente juntos pela cidade no dia anterior.

“Todos me disseram, essa é uma música latina, não pode nunca ser o single. Pessoas da gravadora e amigo estavam dizendo que eu precisava adicionar mais produção, pois era muito lenta”, continua Cabello, antes de acidentalmente derramar café em seu casaco cinza e sinceramente me implorar por dicas de lavagem. Nós limpamos a manga do casaco dela com água, enquanto Cabello tentava imitar o meu sotaque. “Eu vou pedir um flat white”, ela fala maliciosamente de novo e de novo, até que eu a conduza de volta à conversa. Persuadida de que Havana jamais tocaria nas rádios, Cabello lançou Crying in the Club como o seu primeiro single então. Mas quando o álbum foi lançado, foi Havana que fez os ouvintes se prenderem.

“Era surreal: crianças vinham até mim e perguntavam, ‘você é a Havana?'” ela diz. A música foi indicada em duas categorias do Grammy, onde Cabello se tornou a primeira artista feminina a abrir uma cerimônia.

O domínio de Cabello nas paradas, é parte do que Gold chama de “mudança de terreno“. “Artistas latinos tem ganhado uma enorme aceitação global no mundo pop nos últimos anos,” ele diz. Até 2017, um ‘numero um’ de língua latina era raro, limitado a Enrique Iglesias, Shakira e modas tipo ‘Macarena’. Isso mudou quando Despacito de 2017 de Luis Fonsi e Daddy Yankee, escrita totalmente em espanhol, se tornou a música mais reproduzida da história.

No mesmo ano, o número de músicas de língua espanhola na Billboard Hot 100 pularam de 3 para 19; esse ano o número já está em 16. A influência Latina é tanta na cultura pop que Madame X de Madonna, lançado em Abril teve a estrela cubana Maluma, e a versão moderna do flamenco clássico da revelação espanhola Rosalia esteve no palco John Peel do Glastonbury desse ano. No meio disso, claro, veio a avassaladora Havana.

Cowell diz que ele nunca pensou nas raízes latinas de Cabello quando a conheceu. “E então é claro que eu percebi anos depois, de que ela estava transformando tudo.”. Ele desde então tem tido sucesso com o seu grupo latino CNCO. “Talvez eu deva muita coisa a ela.”

Até mesmo cantores que não são latinos estão lucrando com o gênero, como Justin Bieber provou com seu enormemente popular remix de Despacito. “É definitivamente irritante quando as pessoas se aproveitam, mas as vezes eu sou inspirada por coisas que não são necessariamente da minha cultura.” diz Cabello. “Eu acho que com a globalização, gênero não existe mais. Foi surreal ouvir as pessoas cantando o refrão de Havana. Muitos jovens nunca haviam ouvido falar sobre o lugar.”

Cabello doou os lucros procedentes do vídeo da música para apoiar jovens imigrantes ilegais, conhecidos como Dreamers – que entraram nos EUA menores de idade e estão buscando o status de residentes. Seu canal do Youtube foi inundado com mensagens de fãs latinos a agradecendo por fazê-los se sentirem mais bem recebidos na América. Cabello sofre com ansiedade e procura ficar longe de redes sociais porém quando eu menciono as mensagens ela espalma as duas mãos no rosto e suas sobrancelhas sobem pra trás da sua franja. “É mesmo? Isso me faz tão feliz. Por isso eu quero contar minha história, porque quando eu vejo o que está acontecendo na fronteira, meu coração se quebra. Aquela é minha história também.”

Cabello tinha 6 anos quando sua mãe, uma arquiteta, a carregou através da fronteira do México, dizendo a filha que elas estavam indo a Disney. “Eu tenho essa memória da minha mãe me levando para um posto de gasolina, e só isso,” ela diz. Elas ficaram detidas por 22 horas antes de serem liberadas para seguir para Miami. Seu pai, originalmente da Cidade do México, se juntou a elas ilegalmente anos depois, após nadar o Rio Grande. “Eu não sabia o que estava acontecendo,” Cabello me conta. “Eu apenas tinha meu calendário da Disney que eu riscava os dias até ele chegar.”

“Por isso a minha mãe ama o filme ‘A Vida é Bela'”, ela diz, se referindo ao filme vencedor do Oscar de Roberto Begnini, uma comédia sobre um pai judeu e seu filho levados a um campo de concentração durante o Holocausto. “Obviamente eu não estou comparando a minha história a essa em termos de, você sabe…mas sim a mesma ideia de um pai/mãe inventar um jogo para proteger seus filhos.”

O novo álbum de Cabello, ainda sem nome, que sairá mais tarde ainda esse ano, é um tributo ao primeiro amor. Ela descreve a experiência nos termos do filme Amélia de 2001, que ela assistiu a primeira vez no ano passado. “Antes, eu era Amélie”, ela diz, se comparando a sonhadora principal do filme, encenada por Audrey Tautou. “Eu estava vivendo na minha própria imaginação. Eu não saía e conhecia pessoas. Eu realmente não fazia amigos. São as menores coisas que emocionam a Amelie, como ser paquerada.”

Quando criança, ela odiava tanto atenção que chorava quando lhe cantavam ‘Parabéns pra Você’. Sua audição para X Factor foi a primeira vez que ela cantou em público, e a ajudou a perceber que ela poderia se transformar no palco. “Agora, eu sou a Amélie ao final do filme, quando ela se apaixona pela primeira vez e quebra a sua proteção.”

Das 72 músicas que Cabello escreveu para o álbum, apenas um pequeno número será lançada, e cada uma delas tratará das minúcias dos relacionamentos. Desejando que eu escute algumas, Cabello chama a sua mãe Sinuhe, que viaja com a filha a todos os lugares e chega ao café com um iPhone, onde ela toca duas novas músicas para mim. A primeira é uma balada pesada, gótica, remanescente da Avril Lavigne de antigamente; a outra uma música Latina carregada com um batida poderosa que faz você querer levantar e dançar salsa.

Como no álbum anterior, Cabelo é creditada como compositora em todas as músicas do novo álbum – uma raridade em uma época onde tantos hits são manufaturados por times de compositores e produtores. Será que ela está querendo se posicionar sobre alguma coisa?

“Não, mas eu preciso contar minhas próprias histórias,” ela diz. “Eu ainda me arrependo do meu primeiro single, Crying in the Club, porque eu não o escrevi e eu não senti como se fosse meu. Eu tinha o refrão de Havana, porém eu segui com o que era seguro, com o que as pessoas da indústria me diziam que funcionava antes. E resultou que ninguém sabe o que pode acontecer.”

Quando Cabello usa a palavra “indústria”, sua expressão, geralmente acolhedora e confiante, se torna inquieta. A falta de liberdade que ela experimentou no início da carreira como parte de um grupo de gravadora parece ter criado nela uma desconfiança no sistema.

“Fifth Harmony era como se fosse uma pessoa a parte. Era com se nós estivessemos lá para servir ao grupo”, ela diz, puxando as mangas do seu casaco cinza. Após Cabello deixar o grupo em 2016 ela foi acusada de traição, e as coisas ficaram feias – quando as 4 integrantes remanescentes abriram o MTV Video Music Awards de 2017, em uma plataforma elevada mostrando a silhueta de 5 mulheres ate que uma delas fosse atirada para fora do palco quando a performance começou. “É tão normal grupos de desintegrarem. Eu acho que tem que acontecer algum tipo de milagre para 5 pessoas permanecerem juntas,” ela diz. “Eu sou tão interessada para saber o que acontece de diferente com o Little Mix.”

Em 2020, Cabello vai fazer seu próximo passo na carreira – na atuação. James Corden pessoalmente a escolheu para estrelar a contribuir para criação de um musical com uma nova versão para Cinderela, que ele está produzindo. “Ele viu meu comercial da L’Oreal onde eu estou basicamente sendo idiota, e ele achou aquilo legal.” Ela parece um pouco assustada – e está atualmente tendo aulas de atuação – mas parece ser um próximo capítulo óbvio para uma vida real que está tomando a dimensão de um conto de fadas.

“Quer saber,” Cowell me diz antes de desligar o telefone, “eu nunca imaginaria, lá atras, que quando eu conheci a menina que estava tendo o pior dia da sua vida, que estava chorando na parte de trás da arena, que agora estaríamos tendo esse tipo de conversa sobre ela. Você consegue acreditar?”

O novo single da Camila Cabello sairá na quinta-feira.

Por que as músicas pop mais ouvidas não são tão divertidas quanto as de Camila Cabello e Shawn Mendes?h

Na fumegante “Señorita”, Cabello e Mendes acabaram com a tendência maçante do pop tedioso de 2019. Todos os outros deveriam fazer anotações.

Quando se trata do cenário pop de 2019, “crise de identidade “ parece ser a ordem do dia. Pesos antigos estão debatendo e novas vozes estão com muita dificuldade para se firmarem com versáteis e vendáveis. Katy Perry e Taylor Swift estão travando uma guerra malsucedida de positividade implacável depois de flertes grosseiros com hip hop, enquanto Post Malone e Khalid continuam a ameaça de se afogar numa cascata tediosa com seus sons angustiantes.

Com exceção de Billie Eilish e atual rei das paradas, Lil Nas X – o último que parece ter definido seu destino como dono de um só sucesso após o lançamento de seu tedioso EP, 7 – o senso de diversão do pop parece ter sido escoado completamente. O produtores parecem estar confundindo o amor da Geração Z por hip-hop e eletrônicos ásperos com amor sério com cara de pedra, resultando em um mercado cheio de músicas que são tristes, anônimas e, o pior de tudo, chatas.

Nem tudo está perdido, no entanto: semana passada, Camila Cabello e Shawn Mendes lançaram a música co-escrita por Charlie XCX, “Señorita”, um dueto fumegante que muda a cara triste do pop de 2019 por algo mais sexy, inteligente e, ainda bem, mais divertida.

Devagar, mas definitivamente, Cabello e Mendes criaram identidade sólidas e fã-bases vorazes nos últimos anos. Cabello é uma cantora Cubano-americana com a voz rouca, que deixou sua posição em Fifth Harmony para seguir carreira solo, enquanto Mendes é uma caso de estrela-do-vine-que-virou-uma-estrela-de-verdade, que naturalmente tomou o posto de adolescente sofrido, com tesão, agressivamente casto e símbolo sexual que foi deixado pelos Jonas Brothers na última década. O par já tinha criados hits juntos (IKWYDLS) e sozinhos (“If I Can’t Have You” e “Stitches”, feitas por Mendes e Cabello fez “Havana”, que dominou as paradas), e os dois cultivaram fãs intensamente dedicados na internet- “Mendesheads” (sim, isso mesmo) e “Camilizers”.

Até este ponto, as respectivas carreiras de Mendes e Cabello têm sido como assistir crianças brincando de se vestir com roupas de adultos. Enquanto Cabello gravou algumas das canções pop mais interessantes e puramente agradáveis ​​dos últimos anos – a incandescente “Never Be The Same” é uma maravilha, e sua excelente colaboração com Mark Ronson “Find U Again” exibe uma versatilidade sorrateira – sempre houve um ar teatral infantil e bobo para suas tentativas de mistério e sex appeal; seus maiores sucessos canalizam uma ânsia por performance através de canções que explodem de emoção e personalidade. Mendes, por outro lado, pode ocasionalmente parecer uma causa perdida; enquanto há um óbvio mérito comercial para uma música tão cativante quanto “Stitches”, cada tentativa sucessiva de parecer um garoto mal-intencionado aparece como cada vez mais puro. Mas “Señorita” é facilmente quente e maravilhosamente leve, uma das primeiras vezes em que Cabello e Mendes parecem adultos sem diminuir a sua juventude ou individualidade. Uma faixa pop latina e arejada, “Señorita” traça o curso de um caso breve e carregado, as letras batendo em um ponto doce de soar sexy sem ser sexual, de flerte sem ser grosseiro, divertida sem ser pateta. O loop de guitarra hipnótica da música aumenta continuamente a tensão, e ouvir Mendes e Cabello parecerem quase intimistas, como ler as mensagens nas DMs de um amigo.
O refrão principal da música “Eu adoro quando você me chama de ‘Señorita’ ” – um duplo sentido que fica bem dentro do cânone de músicas que fetichizam a comunicação telefônica de Charli XCX – é carregado de tensão e alívio, contando várias histórias com uma economia admirável. E enquanto a música é vívida por conta própria, eu seria negligente em não recomendar pelo menos uma visualização no vídeo da música, um pouco de mimos aos fãs, quase incômodo, que se trata de Mendes e Cabello suados agarrando um ao outro.

Liricamente, Cabello, Mendes e seus co-escritores – Charli XCX, Jack Patterson, membro do Clean Bandit, e o co-escritor de Havana, Ali Tamposi, além dos produtores Cashmere Cat, Benny Blanco e Andrew Watt – estão em sua melhor forma. Tem um quê de tensão no flerte despreocupado com os sucessos dos anos 2000, como “Promiscuous”, presente no modo como Cabello e Mendes trocam facilmente as entradas; linhas como “Você diz que somos apenas amigos / Mas os amigos não sabem qual seu sabor”são alegremente descaradas e entregues com um sorriso malicioso. Cabello é charmosa como sempre em “Señorita” e carrega a maior parte da música na parte de trás de sua voz, que tem a capacidade de escorregar da garganta para aerea de um segundo para outro. Mas Mendes também parece surpreendentemente bom; em uma aparente tentativa de igualar a leveza do vocal de Cabello, ele passa grande parte da faixa em um registro superior que é infinitamente mais atraente do que o aceitável, mas que, de outra forma, não merece ser revelado em outras músicas. A música é creditada igualmente a Cabello e Mendes e parece um dueto no sentido mais verdadeiro. É uma pena profunda e vergonhosa que “Señorita” seja uma raridade no pop de primeira linha, quando Cabello e Mendes exibem uma jogabilidade emocionante que seus antepassados ​​raramente ostentam ao lançar uma obscena pantomima romântica como essa. Faz um bom tempo desde que alguém parecia estar se divertindo tanto em sua própria música.

“Regras da Camila”

COSMO: Conheça Camila Cabello, a musicista mais conhecida no mundo no momento, e possivelmente uma das mais motivadas.

Camila: “Não se acomode”

“Sempre se lembre o quão melhor você precisa ser”

“Eu aprendi a usar a pressão como vantagem”

COSMO: 3 da tarde de uma terça-feira à tarde e estou sentado em frente ao vidro da recepção do escritório de publicidade de Camila Cabello. Cabello está no meio de um turbilhão de turnês de publicidade em Londres e está atrasada. Mas essas coisas acontecem. Nas últimas 72 horas, a cantora já fez um ensaio de fotos para a Cosmopolitan, uma entrevista na Radio 1 com Nick Grimshaw, uma performance de Dancing On Ice [programa de TV britânico], outro ensaio de fotos street e pelo menos mais seis entrevistas diferentes para televisão.

Dez minutos depois, alguém de sua equipe aparece.

“Camila está pronta pra você agora”, ela sorri.

Eu sou conduzido a uma sala de reuniões com uma mesa de reunião no meio. Do tipo que se espera encontrar Donald Trump sentado no final, e não uma mulher pequena e dócil cujas franjas marrons caem sobre o rosto como um par de cortinas de uma mansão.

Uma mulher mais velha se senta ao seu lado de maneira protetora enquanto a jovem mulher folheia atenciosamente uma revista, dobrando os cantos das páginas com frequência. Essa é Camila Cabello, a maior estrela do pop no mundo, cercada por sua mãe.

CC:”Oi”,

COSMO: ela acena para mim enquanto sua mãe sorri e então se retira silenciosamente. Ela me diz que está cansada. Eu conto que estou cansado também, já que voei de LA na noite passada. Ambos rimos.

CC: “Só estou procurando por roupas que eu goste”,

COSMO: ela sorri ao continuar folheando a revista.

Poucos musicistas jovens podem competir com a trajetória de Cabello. Ela foi quem encontrou fama aos 15 anos no The X Factor (US) ao ser colocado em um grupo montado por Simon Cowell. A banda era Fifth Harmony, um dos girlgroups de mais sucesso nos últimos seis anos. Elas tiveram dois álbuns top 10, múltiplas turnês esgotadas, e então, no auge de sua fama, Cabello simplesmente sai. As companheiras de banda disseram estar “machucadas e confusas”, e pareceram demonstrar tais sentimentos ao empurrarem uma ‘Camila’ boneca do palco durante uma perfomance no VMAs da MTV no ano passado (e anunciaram um hiatus da banda em Março).

Mas nesse meio tempo, Cabello planejava silenciosamente, se preparando para liberar seu trabalho solo para o mundo. Em Agosto, ela simplesmente o fez. Havana, um single pop de influências latinas que homenageia a cidade onde ela nasceu, tem sido tocado em todas as estações de rádio no mundo e alcançado o número um em 22 países, incluindo os Estados Unidos e o Reino Unido, e assim permaneceu por cinco semanas.

Seu álbum, Camila, esteve entre o topo do iTunes em 99 países em Janeiro e foi direto o número um nos EUA. Ela também teve uma turnê esgotada, em um dia.

CC: “Nunca se acomode. Não importa o que qualquer pessoa me diga, eu sei que eu preciso de mais que um bom álbum para ter uma carreira”,

ela diz. “Mesmo quando alguém me diz que as estatísticas e números são incríveis, eu relembro a mim mesma de que se não se pode manter isso por uns 15 anos, como as maiores pessoas fizeram, então… é por isso que gosto de olhar para pessoas como Prince e Madonna porque isso me relembra – “Você tem muito o que fazer, querida, antes de parar de prender e crescer””.

COSMO: Ela acrescenta,

CC:“nunca deixe subir para a cabeça e lembre-se sempre o quão melhor você precisa ser.”

COSMO: Com uma conversa dessas, é fácil se esquecer que Cabello tem apenas 21 anos e ainda vive com os pais em Miami. Não restam dúvidas de que ela possui uma cabeça madura, visto que ela vem trabalhando solidamente com a indústria da música desde seus 15 anos, quando fez uma audição para o The X Factor (US).

CC: “Muitas das coisas que tive que aprender aos 15 anos ainda são praticadas por mim. Eu seria muito pior se eu não as tivesse aprendido. No The X Factor, eu aprendi a usar a pressão como vantagem,”

COSMO: ela explica.

CC: “Tanto que agora eu sinto que posso lidar com situações de pressão – onde você afunda ou nada. […] Isso me deu determinação.”

“Sempre que recebia muita atenção, entrava em pânico.”

COSMO: Ela nem sempre quis ser uma cantora, no entanto. Crescendo em Cuba e após se mudar pro país de origem de seu pai México, ela continuou tímida.

CC: “Tipo muito introvertida,”

COSMO: ela conta. Sua família imigrou pros Estados Unidos, ficando em Miami quando ela tinha 7 anos. “Eu era uma nerd de all stars.” ela acrescenta.

CC: “Música sempre foi meu hobby, mas nunca cantei publicamente. Eu choraria se minha família me pedisse pra cantar para eles. Ou quando cantavam parabéns para mim, porque quando recebo muita atenção, eu entro em pânico. Até hoje, quando estou dando entrevistas, e tem mais de oito pessoas na sala eu fico com ansiedade. É como se tivessem duas partes diferentes de mim.”

COSMO: Então veio como uma surpresa para a família de Camila quando ela anunciou que, para seu aniversário de 15 anos, ela queria ir às audições do The X Factor (US).

Ela me conta a história da festa latina ‘quinceañera’.

CC: “Basicamente, quando você faz 15 anos, os latinos tem esse costume. É como a comemoração americana ‘Sweet 16’, só que aos 15. É quando você se torna uma mulher.” ela sorri.

“Eu estava tipo ‘eu nunca tive uma festa de aniversário e não sei se quero agora’ ao invés disso, eu quis que me levassem ao X Factor – que estavam fazendo audições na Carolina do Norte.”

COSMO: Seus pais concordaram, fizeram as malas e levando sua avó junto à uma viagem de 13 horas. Éramos só nós nesse minúsculo carro durante todo o percurso.” Camila não passou da fase ‘boot camp’, mas mais tarde foi convocada por Simon Cowell e outros jurados para formar o grupo Fifth Harmony juntamente com Ally Brooke, Normani Kordei, Dinah Jane e Lauren Jauregui.

CC: “Nós fizemos muita coisa juntas e passamos pelas mais transforma… transforma… transformadoras! Transformadoras experiências. Desculpa, não tenho dormido por umas duas semanas! Eu fui exposta à área de trabalho que era o meu sonho.” Mas foram cinco anos intensos, fazendo turnês intermináveis por shoppings no começo da carreira. “Eu só lembro de ter espinhas,” diz Cabello. “Espinhas horríveis. Isso é tudo de que me lembro…”

COSMO: O jeito como tudo acabou é um assunto ainda desconfortável para Camila. É a única parte que ela não gosta de falar sobre na entrevista, e me disseram anteriormente que ela não gosta que levem a entrevista a esse assunto. Mas o que é claro é que ela se sentia sufocada no grupo – e começou a escrever material solo desde cedo.

CC: “Comecei a escrever aos 16 anos.” revela Camila.

“Na mesma época em que eu estava gostando de um menino e sendo correspondida. Quando estávamos em turnê, em nossos dias de folga, eu só ficava no meu quarto de hotel e escrevendo no meu laptop.” Sobre o quê ela escrevia? “Meu primeiro namorado, primeiro beijo, primeiro encontro… Eu tinha um bocado de músicas escritas e eu queria me expressar completamente,” ela diz.

COSMO: Logo, sair sozinha e estar no controle das decisões de sua carreira foram incrivelmente libertadores. Você sentiu um peso sair das suas costas?

CC: “Sim, definitivamente,” ela diz. “Ainda me faz bem… Eu amo tomar todas as minhas decisões, porque o produto disso foi algo que me representa completamente. É como fazer meu próprio café da manhã. Tem um gosto melhor do que o de um restaurante, porque é seu, porque você o fez. Foi assim que me senti.”

COSMO: Quando ela saiu da banda, ela tirou suas primeiras férias em cinco anos – uma semana em Cancún. Mas não demorou muito para ela se sentir vazia novamente. E, como resultado, Cabello é muito restrita com o seu honorário esses dias – apesar de que, ela está claramente exausta de toda essa viagem da tour promocional.

CC: “A única coisa que foi difícil [sobre seguir carreira solo] foi que houve um ponto onde eu não tive vida porque estava trabalhando sempre,” ela relata. “Eu estava tipo, ‘Eu realmente preciso de equilíbrio. ‘ E foi assim essa pressa que não tinha tempo. Com poucos meses eu estava falando pra mim mesma, ‘Isso não está me ajudando. O trabalho seria melhor se eu trabalhasse menos intensamente.'”

“Às vezes se as coisas estiverem tipo..” ela inspira longamente para demonstrar sufoco. “Se você não tirar um segundo para ter outra perspectiva, você começa a ver coisas como elas não são.”

COSMO: Outra coisa com a qual Camila teve que lidar foi com seu TOC. Ela disse que, em um certo ponto, ele a acordava “com um batimento cardíaco acelerado e pensamentos bem negativos, intrusivos e compulsivos.”

Hoje ela admite,

CC: “TOC é estranho. Eu sorrio com isso agora. Todo mundo tem diferentes maneiras de lidar com o estresse. E, para mim, se eu fico muito estressada com algo, eu começo a ter o mesmo pensamento várias e várias vezes, e não importa quantas vezes eu chegue numa solução, eu sinto como se algo ruim estivesse prestes a acontecer se eu não continuo pensando nisso. Eu não sabia o que era isso e quando descobri, e aprendi como controlar isso, me senti muito melhor. Eu me sinto muito mais no controle agora. Até o ponto em que eu estava tipo, ‘Aha! Ok, isso é só meu TOC.’ Eu perguntaria uma pergunta à minha mãe pela 4ª vez e ela estaria dizendo, ‘Isso é o TOC. Você tem que deixá-lo ir.'”

COSMO: Cabello aprendeu técnicas de como lidar com isso. “Você não pode entretê-lo e pensar em outra coisa. É tipo se coçar. Você só tem que fazer outra coisa ou você vai acabar encorajando a coceira.”

Trabalhando na indústria musical, ela se preocupa em se exaurir.

CC: “Eu odeio pensar nisso,” ela diz. “Eu não quero ser uma fonte de dor. Isso é um crime para mim porque é a coisa que eu mais amo no mundo. Não quero torná-la em algo que me faça infeliz. Então eu sou muito cuidadosa em relação à minha carreira. Quando sinto que estou chegando a esse ponto, eu falo, ‘Precisamos tirar algumas coisas, você tem que me dar mais dias de folga, algo tem que acontecer.’ Quando você está exausta, você só quer acabar com tudo, e você não quer acabar com algo que você se importa tanto.”

COSMO: É em casa, em Miami, que Cabello escolhe relaxar. “Sinceramente, eu assisto muitos filmes como Harry Potter. É minha coisa favorita de fazer. Eu apenas amo estar na minha casa com minha família. No meu quarto, sozinha. Eu amo isso. É a melhor coisa.”

CC: “Eu passei muito tempo pensando que se eu precisasse descansar então eu não estava trabalhando o suficiente, e agora eu penso o oposto. Eu preciso de tempo para mim mesma, para ser criativa e pensar em ideias e ter experiências com as quais eu possa crescer, escrever sobre e transformar em arte. E não pela minha carreira, mas por mim. Para minha satisfação pessoal. Ninguém ganha nada de mim enquanto estou assistindo Friends o dia todo com meus amigos. Mas é só pra mim, e essa já é uma razão boa o suficiente.”

COSMO: Estar longe de casa é a coisa mais difícil que Camila encontra em sua carreira. “Até hoje é difícil,” ela suspira.

CC: “É a parte mais difícil – estar longe de minha família. Eu não quero nunca me mudar pra Los Angeles porque eu não posso viver longe deles.” Então, quando ela viaja, leva sua mãe junto. “É muito legal, ela é minha melhor amiga. Minha outra metade.”

COSMO: Isso a mantém firme.

CC: “Tem algo sobre estar com sua mãe. Você se sente como uma criança. E sua família não se importa se você fez besteira ou flopou ou se sua música não foi um sucesso. Eles te amam independentemente e isso é muito importante para mim.”

COSMO: Outra pessoa com quem Camila passa muito tempo é com Taylor Swift. Elas se conheceram no VMAs há quatro anos atrás.

CC: “Sim – ela diz sorrindo -, eu a amo. Nós só conversamos sobre garotos. Ela ama amar, e amamos falar sobre isso. É divertido só conversar e sonhar.”

COSMO: Quanto a pergunta de se existe um homem no momento, Cabello não comenta. Mas recentemente ela foi fotografada beijando o britânico coach de relacionamentos e expert em relações da revista US Cosmopolitan’s Matthew Hussey numa praia em San Lucas.

A publicitária de Camila entra na sala e diz que precisamos trocar de sala pois precisam usar o espaço. Nós nos mudamos para sala ao lado, mas eu posso sentir que as últimas duas semanas tiraram o vigor e Camila está fraca.

Como ela lida com o Jet Lag?

CC: “Eu apenas lido com ele, com adrenalina e também alegria. Você tem que ser feliz pois assim se sentirá menos cansada.”

Mas ainda está complicado. “Eu não tenho muito tempo, porque estou sempre trabalhando. E também ficar viajando por lugares diferentes pode ser solitário.” Então seria ela uma viciada em trabalho? “Sim,” ela responde. “Mas eu queria que tivesse mais tempo para que eu pudesse fazer tudo que eu quero. Eu sinto que sou viciada em sonhos. Eu não trabalho só para fazer algo, mas eu sempre tempo que inventar algo novo. Surgir com uma nova música ou ideias para um novo álbum ou clipe.”

COSMO: Ela se considera uma mulher de negócios?

CC: “Aí é que está,” ela diz. “Eu odeio a palavra ‘dinheiro’. Simplesmente não… [suporto]” Ela dá uma pausa, pensando, antes de continuar, “Meu pior medo é fazer um álbum para que ele venda muito ou seja muito bem sucedido. Não quero ser a pessoas que faz músicas no estúdio dizendo, ‘A rádio vai amar isso’ ou ‘Nós ficaremos ricos depois desse single.’ É nauseante para mim. Eu só preciso do suficiente para deixar minha família e eu confortáveis, e têm sido uma bênção para mim poder ajudá-los dessa maneira.”

COSMO: Com isso, nós concluímos a entrevista, porque é o horário do próximo entrevistador.

CC: “Descanse um pouco,”

COSMO: ela diz e eu digo como resposta, “Você também.”

“OK,” ela responde.

Do lado de fora, está um caos. Outro jornalista está esperando para entrar para seu turno, junto com uma grande equipe de filmagem. Mais tarde ela precisa ensaiar para os BRITs, aonde ela estará apresentando um prêmio amanhã à noite. Algo me diz que Cabello não conseguirá o descanso que ela corre atrás por mais um tempo.

CAMILA, o álbum, já está disponível.

 

Fonte: Cosmopolitan UK

Tradução e Adaptação: Equipe CCBR.

A estrela latina faz seu debut num festival inglês na ilha de Wight esse ano, e oferece dicas de sobrevivência.

Camila Cabello se tornou uma estrela solo depois de sua participação no grupo Fifth Harmony.

Festivais não são glamurosos. Eles envolvem lama, galochas e ficar perambulando com a paisagem de lixo às 4 da manhã com a possibilidade de não encontrar a sua tenda, seu carro e seu juízo. Considere então a dificuldade de uma estrela estrangeira que não está disposta a ficar enlameada, vestir roupas contra a chuva e viver no caos.

“Eu fui ao Coachella uma vez”, disse Camila, falando sobre o festival no deserto da  Califórnia que tem tapetes na área VIP para garantir que nada grude nos pés das celebridades. “Mas é um pouco diferente do festival inglês, me disseram. Eu fiquei numa casa próxima com algum de meus amigos, então apesar de termos visto algumas performances eu confesso que não levei mochila, um agasalho ou repelente. No entanto, eu não quero ir num festival aqui no Reino Unido. Eu soube que eles são selvagens. E chuvosos.”

O desejo da Camila está prestes a se tornar realidade. A pequena México-Cubana-Americana de 21 anos, que se tornou famosa em 2012 com o grupo formado no X Factor americano, Fifth Harmony, antes de sair do grupo para se tornar uma estrela latina do pop com seu hit número 1 Havana, irá performar no festival da ilha de Wight em junho. E apesar de dizer que está ansiosa por ele, não estou completamente seguro o que está prestes a atingí-la.

“Deixe me ver… Eu posso estar preparada pra caminhar sobre lama se estiver com meus amigos,” ela disse. “Quando você está ouvindo uma linda música na chuva e todo mundo tá bem bagunçado, pode se tornar uma experiência de conexão. Você começa sofrendo e logo você não se importa mais. Isso une todo mundo.”

Cabello, que mora em Los Angeles, está geralmente em um vestido rendado no palco junto a dançarinos. Hoje ela está de folga em um moletom e jeans, mas ainda se parece com uma estrela. No entanto, ela diz que planeja participar o máximo do festival com todo mundo.

“Quero fazer meu set e depois checar vários outros. Vou usar uma peruca loira curta, um casaco de chuva e minhas botas Wellington, e seguirei andando.”

Antes de Cabello curtir disfarçada a banda Kasabian e The Killers, ela tem que mudar com as mudanças que a fama trouxe. Minha entrevista com ela, num clube privado em Mayfair, no centro de Londres, é adiada em uma hora mais ou menos por conta dos vários repórteres que tomam conta do seu honorário. A mãe de Cabello está fora do cômodo no qual nos conhecemos, junta com o pessoal que a gerencia, sua gravadora e um homem alto que com certeza é o guarda-costas dela. Não há dúvidas que ela é requisitada.

Acima da sua fama, que veio em maior parte depois de Havana e seu sedutivo charme, ela se tornou uma porta-voz para os jovens latinos nos Estados Unidos. Ela discursou no Grammys desse ano contra o plano do presidente Trump de acabar com o programa DACA. Como parte da introdução à banda U2, ela disse: “Esse país foi feito pelos dreamers, para os dreamers, que buscam viver o sonho americano… Tenho orgulho em ser uma imigrante Méxicana-Cubana, nascida em Havana… E tudo o que sei é que assim como sonhos, essas crianças não podem ser esquecidas e são dignas de luta.” Esse foi o momento no qual ela se tornou um modelo para a sua geração.

“Antes de subir ao palco do Grammys eu disse à mim mesma, ‘Isso não é sobre você. Isso é para as pessoas das quais está falando,'” disse ela sobre o discurso. “Eu estava bem nervosa, mas aí pensei, ‘Quem se importa com o que está sentindo? Isso é sobre fazer o amor  ser maior que o medo e sobre o que as pessoas que estão nessa situação estão passando.’ Logo eu não estava mais nervosa.”

No que diz respeito à atitude do Trump em relação aos imigrantes latinos, ela disse “É bem frustrante. Mas ao mesmo tempo é esperançoso isto está em nossa frente e não podemos ignorar os dreamers ou o controle do armamento. As pessoas estão começando a ter mais empatia com o próximo.”

Ela encolhe os ombros em algo parecido com esperança. Ou pode ser apenas cansaço.

Você pode pensar que isso é bastante para uma pessoa de apenas 21 anos. “Na verdade eu sou extremamente tímida,” disse Camila. “Eu sempre fui introvertida. Tem uma foto do meu aniversário de 9 anos na qual as pessoas estão cantando parabéns pra mim e estou com os olhos cheios de lágrimas porque eu fico emocionada quando tem muita atenção em mim. Isso aconteceu novamente hoje de manhã. Eu estava sendo filmada para uma entrevista e tinhas pessoas da equipe de cabelo e maquiagem no lugar, e eu paralizei. Você tem que parar, bloquear tudo ao seu redor e focar no trabalho.”

Porque, então, ela escolheu uma vida na qual ela precisa passar muito tempo falando e performando para “estranhos”? “Quando você ama algo o suficiente você passa por cima dos seus medos, e quando estou performando… Não consigo explicar. Eu me perco na música e do nada eu não sou eu mesma, eu sou um veículo para qualquer que seja a emoção que eu esteja cantando sobre. Eu me sinto exposta, mas não tão exposta, se isso fizer sentido. Se estou cantando, estou bem. Se ganho um prêmio meu primeiro pensamento é. ‘Ah meu Deus, agora eu tenho que subir lá e falar.’ ”

Cabello, nascida em Havana com uma mãe cubana e um pai mexicano, passou os primeiros cinco anos de sua vida viajando entre os países de seus pais enquanto a sua mãe estudava arquitetura na Cidade do México. Depois a família se fixou em Miami onde, Camila relata “Miami me deu oportunidades melhores, educação melhor, uma casa melhor que meus pais tiveram”. Ela cresceu escutando Michael Jackson e música latina e, depois que sua família contratou TV a cabo, assistiu à High School Musical, The Cheetah Girls e outras versões recentes da cultura pop no Disney Channel.

“Quando você tem nove anos, todos querem ser cantores,” ela diz, descartando a ideia de ter um caminho no meio pop até então. “Todo mundo está colocando fotos de shows de talento em seus quartos. Foi com isso que meus amigos cresceram mas eu não.”

Ela convenceu seus pais a não ter uma festa de debutante – a tradicional comemoração latina para um aniversário de 15 anos de uma garota – e em troca pediu para ser levada às audições da versão americana do The X Factor na Carolina do Norte. “Eu acho que eles pensaram, ‘Essa é uma boa forma de saber se ela pode fazer isso, e com sorte ela se esqueça dessa ideia.’ ” relata Camila. “A experiência no X Factor me ajudou a lidar melhor quando sob pressão, porque você não pode correr. Se não está se sentindo bem naquele dia você ainda precisa estar na TV, performando pro país todo. E não se pode ser ruim ou será mandada pra casa.”

A escola deu lugar para o estudo em casa por conta da vida decorrente do show de talentos. “É muito difícil estudar geometria quando você não sabe a letra de uma música que cantará no dia seguinte,”. “Mas eu consegui meu diploma do ensino médio e aprendi, desde cedo, a não prestar atenção ao que os outros estão dizendo. Aos 15 você lê comentários e pensa, ‘Ai meu Deus, essa garotinha diz que é minha fã.’ Você fica em êxtase. Logo depois você lê, ‘Bem eu não acho que ela é tão bem assim,’ e ‘Ela é horrível,’ você fica insegura e isso estraga tudo. Eu ainda me lembro apenas dos comentários negativos, nunca dos positivos. Não tenho nenhuma rede social no meu telefone. Foi a melhor decisão que já tomei.”

Ela não pode fazer muito quanto aos telefones de outras pessoas. Cabello diz que a parte mais árdua da fama é ter pessoas enfiando câmeras na cara dela ao invés de conversar com ela. “Isso acontece com pessoas que estão animada por estarem com um famoso,”. “Fãs que amam e se importam comigo demostram muito afeto. Não me sinto sugada quando falo com eles. Sou sugada quando pessoas que nem conheço estão me puxando.”

Ela ainda tem que lidar com os paparazzi, um recentemente a fotografou com um suposto namorado, o experiente em relacionamento e britânico Matthew Hussey.

No mundo dos shows de talento, a saída de Camila do grupo Fifth Harmony gerou controvérsias. Tensões subiram quando ela fez uma colaboração com Shawn Mendes em 2015 e, depois de pedidos para auxiliar na escrita de músicas serem negados, ela percebeu que não seria possível escrever seu próprio material e continuar no grupo. Ela saiu em dezembro de 2016 e, depois do sucesso de Havana, lançou seu primeiro álbum solo, Camila, em janeiro deste ano. Que conseguiu o número 1 no chart da Billboard.

“Houveram momentos lindos,” disse Camila, sobre os cinco anos que passou em uma girlband. “Estar com quatro outras garotas a faz melhor porque há uma competição saudável. Você não quer ser a pior do grupo.”

Camila é, para uma mulher crescida em shows de talento, estranhamente pessoal e reflexiva, muitas vezes escolhendo baladas mais lentas à hinos que se tocam na boate. Há canções de amor feitas por ela, mas a maior parte do álbum é sobre ver uma joven mulher latina nos Estados Unidos do século XXI. Não é edge, ou sexy demais, mas na verdade doce. “Eu sou apenas uma bolinha pegajosa,” falou Camila.

Bem, ela será uma dia depois do festival na Ilha de Wight.

Camila Cabello estará na O2 Academy Glasgow, em 5 de junho; O2 Academy Birmingham, em 6 de junho; O2 Academy Brixton, em 12 de junho; e no festival da ilha de Wight entre 21 e 24 de junho.

Tradução e adaptação: Camila Cabello Brasil.

Em recente entrevista para a revista L’Officiel USA, Charli XCX falou um pouco sobre abrir a turnê de Taylor Swift ao lado de Camila e de como ela a surpreendeu como compositora, confira:

E: Você vai entrar em turnê com Taylor Swift e Camila Cabello. O que você mal pode esperar para esses shows?
Charli: Eu estou muito animada para estar rodeada dessa energia feminina. Acho que vai ser muito poderoso. Ambas, Camila e Taylor são escritoras excelentes, então, em um mundo dos sonhos, iríamos pro estúdio também. Isso seria maravilhoso.
E: Você esteve no estúdio com vários escritores, produtores e artistas diferentes ao longo dos anos. De todos que você já trabalhou, quem que te deixou boquiaberta?
Charli: Honestamente não estou falando isso só porque você mencionou o nome dela antes, mas Camila me deixou boquiaberta. Eu acho que eu tinha esse pré-conceito estupido de que pessoas que saem de grupos fabricados não são muito produtivos no estúdio porque na maioria das vezes eles não tem a palavra no processo criativo. E fui provada do contrário. Camila é tão produtiva, incrivelmente versátil e talentosa no estúdio. E ela descobriu sua liberdade criativa há pouco tempo, então sinto que esse é só o começo da sua jornada criativa. Ela ainda vai escrever muitas coisas incríveis para ela, e provavelmente para outros artistas também. Ela é maravilhosa.

Tradução e adaptação: Camila Cabello Brasil.

Onde está o coração de Camila Cabello?

A cantora cubano-mexicana goza do carinho de sua família e de milhões de fãs ao redor do mundo, mas seu coração está completo?

É a tarde após a entrega dos últimos prêmios Grammy, as redes proclamam Camila Cabello como a grande vencedora (por vários motivos) da noite. Seu primeiro momento seria com Kesha, Cindy Lauper, Bebe Rexha, Julia Michaels e Andra Day, o coro que levantou uma oração de encorajamento para o movimento #MeToo; depois, seguiria o discurso esperançoso dirigido aos Dreamers – inovação total; terminando com a apresentação do U2, a banda icônica que, como Camila, é a voz de uma geração.

Cinco e trinta em ponto, a produção da capa desta edição terminou na cidade de Nova York, então é hora de falar com a voz que conquistou o mundo.

Que momento ontem à noite com Kesha e a interpretação de “Praying”, que em espanhol significa oração. Camila, o que ou quem estão em suas orações?

“A nível pessoal, saúde, felicidade e minha família são os aspectos mais importantes. Em uma escala maior, mais tolerância e amor no mundo.”

Pessoalmente, acredito que nossa geração e os mais novos estão perdendo a fé em acreditar que podem alcançar seus sonhos. Qual a sua opinião?

“Honestamente, eu acredito que está acontecendo o contrário. Cada vez que dou uma olhada nas minhas redes sociais ou a internet, observo que os jovens estão cheios de fogo com o desejo de gerar novas ideias no mundo. Me faz feliz ver meus fãs — adolescentes de 14 ou 15 anos — que falam sobre o feminismo, o racismo e têm essa paixão por debater sobre isso, sinto que há um fogo interno neles que os leva a alcançar mudanças.

Falando de gerações, já dividiu o palco e experiências com grandes ícones da música (Cindy Lauper, U2, Elton John). Cada um deles se inspiraram na sua própria época e geração para escrever e interpretar suas músicas. Como descreve a geração que está dirigindo sua música?

“Sinto que a minha geração, desde cedo, está com uma imagem exposta de muita honestidade do que é o mundo. Com todos esses fatos que estão acontecendo (politicamente) no planeta, e como eu citei anteriormente, tudo está na internet, às vezes causando uma percepção da realidade mais fria do mundo, então eu sinto que a música que eles procuram trata-se de felicidade, esperança e força.”

Essas últimas palavras (felicidade, esperança e força) definem em uma boa parte os mexicanos, como suas raízes cubanas e mexicanas impactaram sua formação artística e pessoal?

“Uma grande parte da minha vida e personalidade é o resultado dessa cultura fascinante. Quando eu era criança, lembro que as músicas que eu escutava na minha casa eram canções românticas de Luis Miguel, Maná, Camila, Sin Bandera, Shakira e essas letras apaixonadas sobre o amor. Eu sempre tive uma obsessão com o romance, e muitas das minhas músicas falam sobre o amor, é o meu assunto favorito para compor. No estúdio de gravação, trabalhando com compositores americanos, apresentava a eles uma composição ou um conceito super dramático ou muito romântico, e eles diziam: “Oh não, não… É muito doce ou pegajoso.” No entanto, sinto que a música e a cultura com que cresci na minha casa afetaram quem eu sou agora, como eu me apaixono ou o meu jeito de ser com os outros. Você sabe como nós latinos somos, muito abertos, quentes, nós amamos contato físico e afeto. Definitivamente, esta mistura de culturas explica grande parte da minha personalidade. Quanto ao meu álbum, essa influência é ouvida de muitas maneiras.”

Este é um momento difícil para os latino-americanos e para aqueles que vivem nos Estados Unidos, então eu aplaudi o seu discurso no Grammy. Eu a parabenizo pela coragem que você mostrou ao falar sobre os “Dreamers”, o que levou você a fazer essa declaração?

“Primeiramente, obrigada. Em momentos como estes diante de uma injustiça, é quando você deve decidir entre manter o silêncio e olhar para o outro lado porque você não está sendo afetado, ou, fazer o certo usando sua plataforma para ajudar aqueles que estão sofrendo e sendo silenciados por um injustiça. Penso que o mundo seria melhor se fossemos mais solidários.”

Passando para outro ponto, e o sucesso de hoje, existe uma fórmula para alcançá-lo?

“A única fórmula que funciona é trabalhar duro e nunca desistir de seus sonhos, lembre-se de que nada é impossível se você realmente quiser.”

E qual é a sua definição de sucesso?

“Felicidade junto com o amor que vem das pessoas que estão à sua volta, sua família; Impulsionar suas paixões, torne-se a pessoa que você quer ser, faça mudanças com projetos que farão você sentir que está realmente vivo.”

Seja com pessoas que gostam de sucesso e fama, ou aqueles que são mais anônimos, os rótulos parecem condicionar a forma como nos apresentamos. No entanto, estamos em tempos de mudança e devemos eliminá-los, ser mais nós, sem qualificadores. Para você, foi difícil eliminar esses rótulos do passado?

“É definitivamente uma realidade que muitas pessoas enfrentam. No meu caso, sempre me lembro que essa vida é para mim, que no final do dia o que você tem é devido ao que você fez com o seu tempo, suas experiências, como você escolheu viver e o relacionamento que você estabeleceu com você mesmo. Às vezes, é difícil, mas essa é uma das razões pelas quais não entro na internet para saber o que pensam de mim… Não quero saber. Se eu sei os rótulos que colocaram sobre você ou o que eles pensam de mim antes de entrar em uma sala, eu não entraria porque seria assustador. Então, você se sente consumado pelo que as pessoas pensam sobre você e não tem tempo para falar com você e questionar o que você pensa de si mesmo, que é o que realmente importa. Uma das melhores lições que aprendi na minha vida e carreira é bloquear o ruído, e isso se aplica a qualquer situação: o que eles pensam sobre mim, minha música ou meu álbum, se eu estou em um relacionamento ou a pessoa com quem eu tenho um encontro que eles não gostam. Se você ouvir todas essas opiniões, não pode viver a sua própria vida e do jeito que deseja viver… Acreditar que esta é a minha vida e não me importar com o que pensam de mim, é a lição mais poderosa que aprendi.”

Finalmente, não podemos terminar sem falar sobre “Havana”, todos ouviram e dançaram, é o grande sucesso do ano passado e continua! Nas primeira linhas, cita: “Half of my heart is in Havana” (metade do meu coração está em Havana). Atualmente, onde está a outra metade do seu coração?

“Mmmm… Obviamente, a outra metade está no México!”

Fonte:  Vogue México

Tradução e Adaptação: Equipe CCBR.