Como todos sabem, o mês de maio é marcado pelo feriado internacional do Dia das Mães, e como essa data não se pode deixar passar em branco, a Glamour Magazine convidou mulheres que inspirassem outras por sua história de vida para sua nova edição. Consideradas inspiradoras e convidadas pela própria revista, Camila Cabello e sua mãe, Sinuhe Cabello, concederam uma entrevista exclusiva, que fora divulgada hoje (05) nas redes socias da própria Glamour. Nessa entrevista, ambas falam sobre sua história de vida como imigrante, a relação entre as duas e muito mais. Confira abaixo a tradução da entrevista:

Camila Cabello veio de Cuba com apenas uma boneca e um sonho

Era uma vez, a sabedoria convencional era que, como mulher, não nos identificávamos com aqueles muito mais velhos ou novos que nós. Mas vivemos em um mundo diferente hoje. As fronteiras entre gerações estão borradas: Mulheres de todas as idades agora compartilham uma cultura em comum; são mais propensas a assistir as mesmas séries de TV, fazer exercício juntas, até mesmo usar as mesmas roupas. Nesse espírito, convidamos algumas das mulheres mais inspiradoras que conhecemos para nomear as mulheres que as inspiram em nossa edição do mês de Maio. A seguir: a estrela pop Camila Cabello que – junto com sua mãe, explica sua jornada de Cuba para a América.

Tudo que Camila Cabello e sua mãe, Sinuhe, tinham quando vieram à América era uma simples mochila de pertences – e uma à outra. Era mais que suficiente…

“Você se lembra do ônibus?” Sinuhe Estrabao pergunta à filha.

Camila concorda com a cabeça. Ela ainda consegue se imaginar aos seis anos de idade, carregando um diário do Ursinho Pooh com uma boneca loira em um vestido rosa que sua mãe havia comprado para ela em um mercado de pulgas. Foi uma viagem conturbada enquanto paravam em postos de gasolina, mercearias, casas e esquinas de rua em seu caminho através do México. Ela e sua mãe tinham vindo, somente as duas, de Cuba, onde Camila nasceu, carregando apenas uma mochila de pertences para a jornada. Quando finalmente chegaram a um centro de imigração na fronteira dos EUA e, depois de seis horas, receberam a permissão para atravessar, Camila pulou para cima e para baixo, gritando “Yay!” Sinuhe chorou de alívio.

Sinuhe, agora com 48 anos, foi arquiteta em Cuba, mas sentiu que suas chances de sucesso eram limitadas. “Não queria isso para a minha filha”, diz ela. “Eu queria que ela tivesse oportunidades.” Ninguém poderia ter predito o quão bem sua visão daria – Camila indo bem na escola em Miami e fazendo sua audição, enquanto estava nona série, para The X Factor, que lançou sua carreira musical com popular girlband Fifth Harmony. E agora, depois que ela anunciou sua decisão de ir solo no final do ano passado, milhões de fãs estão aguardando o primeiro álbum. “Minha mãe sempre me apoiou”, diz Camila, 20 anos. “Nós nos tornamos uma equipe.”

Aconchegadas uma ao lado da outra em um sofá de couro com vista para uma piscina no Hollywood Hills, mãe e filha fala sobre como chegaram aqui, juntas.

CAMILA: Toda vez que minha mãe me conta a história de deixar Cuba, eu aprendo mais.

SINUHE: Voamos de Cuba para o México, e fomos de ônibus até a fronteira americana; demorou um mês. Nós deixamos todos para trás, meus amigos, minha família. Meu medo era que meu marido não fosse [nunca] capaz de vir.

CAMILA: Lembro-me [dela] me dizendo que meu pai se tornou uma formiga à distância, enquanto estávamos dizendo adeus.

SINUHE: Nós fomos para Miami e ficamos com um amigo da família por dois meses até eu conseguir um emprego na Marshall’s, no departamento de sapatos, e podermos alugar um quarto. Foi muito difícil. Vim aqui sem dinheiro e deixei tudo o que era familiar. Mas fiz uma lista de metas, e toda vez que riscava uma, sentia que tudo valia a pena.

CAMILA: Em Cuba houveram dias de aula em que nós só assistíamos desenhos. Não estávamos aprendendo. Mas quando vim para os EUA, era como: dever de casa. Muitas coisas mudaram tão de repente – estar em uma nova escola sem meus amigos, eu não falava a língua, e eu sentia falta do meu pai. Tinha um pequeno calendário da Disney que eu marcava com x até o dia em que ele deveria vir. Quando ele finalmente veio, um ano e meio depois, eu fiquei tão feliz!

SINUHE: Eu me concentrei em colocar a Camila para estudar porque precisaríamos de uma bolsa para a faculdade. E eu trabalhei [para] obter o meu grau como um empreiteira geral. [Meu marido e eu finalmente lançamos] uma empresa de construção civil.

CAMILA: Eu era muito introvertida quando criança. Mas eu comecei a levar meus CDs para depois da escola; eu pedia a caixa de música e tocava minha música no canto e as pessoas vinham. Criei um pequeno canal do YouTube fazendo covers – devo ter postado 50. Mesmo que eu ficasse tipo, “Meu Deus, isso é tão ruim”, a música era a coisa pela qual eu era apaixonada o suficiente para superar a timidez. Depois de ver um vídeo da One Direction “dicas sobre audição para The X Factor (EUA)”, perguntei à mamãe se eu poderia fazer a audição.

SINUHE: Ela era tão tímida que não acreditávamos que ela fosse capaz disso. Mas eu disse ao meu marido: “Ela quer ir a uma audição. Vamos.”

CAMILA: Foi a primeira vez que eu cantei na frente de uma plateia.

SINUHE: Nunca encontrei alguém que enfrentasse seus medos como ela. Eu sei que ela está apavorada, mas ela não para. Ela sempre me pergunta: “Você acha que todo mundo sabe [que estou com medo]?” E eu respondo, “Não, ninguém percebe.”

CAMILA: Acho que a coisa mais importante que aprendi com minha mãe foi: você é humano se tem medo, mas não pode deixar que ele determine o quanto você se esforça em uma situação. Se alguma coisa, ele deve fazer você se esforçar mais – ir até o fim.

SINUHE: Nunca esperei que ela fosse uma cantora.

CAMILA: Neste momento estou no processo de escrever sobre toda a nossa jornada. Quero fazer uma canção de amor para imigrantes. Essa palavra, imigrante, tem uma conotação tão negativa – posso imaginar todas as meninas que sonham vir aqui e se sentem indesejadas. Inspira-me na minha música para que eu faça meu melhor e dê [a eles] a luz que tenho. Quero ser no que as pessoas pensam quando pensam na América – uma pessoa que, não importa qual foi primeira língua ou qual seja sua religião, pode ver seus sonhos ganharem vida se trabalhar o suficiente.

Nesta segunda-feira (13) as redes sociais da revista Latina anunciou Camila Cabello como capa da edição de Março/Abril da revista.

A nova edição da revista vem com um photoshoot e entrevista exclusiva, onde Camila fala sobre sua amizade com Taylor Swift, o porquê de sair do Fifth Harmony, sua relação com sua mãe e muitos mais!

Confira algumas das fotos do photoshoot disponíveis em nossa galeria e a entrevista traduzida: 

FOTOS:

 003~5.jpg

O PODER DE UMA

Conheça sua estrela revelação de 2017, srta. Camila Cabello

E ENTÃO ERAM QUATRO

Depois de passar cinco anos como membro do grupo de pop manufaturado porém bem sucedido, Fifth Harmony, Camila Cabello é oficialmente uma artista solo. Com a separação e uma postura franca com relação aos sentimentos anti-imigração vindos da nossa nova Casa Branca (ela redigiu uma redação pensativa com base em sua experiência pessoal em emigrar para os EUA), a cubana e mexicana de 20 anos é claramente sua própria mulher. Se sua mudança será um próximo grupo-a-estrela (como Fergie) ou miss (desculpe Nicole Scherzinger) ainda é uma dúvida. Esse é um ano decisivo, mas um para o qual ela está mais do que pronta.

O seu ensaio para a Latina foi feito em Union City em Nova Jersey, uma cidade arenosa e robusta com um sabor e cultura de imigrantes latinos. Combina com Cabello. Durante a entrevista, ela se senta com as pernas cruzadas, respondendo cada pergunta com sua voz fumegante distinta. Ela não foge de tópicos desconfortáveis – ela mergulha neles de cabeça. Ela não conhece outra maneira.

POR QUE DECIDIU SAIR DO FIFTH HARMONY?

Comecei no grupo com apenas 15 anos. Eu precisava seguir meu coração e minha visão artística. Sou grata por tudo que tivemos no Fifth Harmony e por [essa nova] oportunidade. Estou menos focada no sucesso e mais em fazer meu melhor e seguir minha visão artística ao máximo, onde quer que isso me leve. Claro que também espero que as pessoas gostem da minha música!

CONTE-NOS SOBRE SUA EVOLUÇÃO COMO CANTORA-COMPOSITORA SOLO.

Estive compondo e criando músicas o tempo todo que estive no Fifth Harmony. Tem sido um escape criativo muito importante para mim. Sinto que achei minha voz no processo. A música me ajudou a ser autoconsciente e saber quem sou como pessoa.

VOCÊ FALOU PUBLICAMENTE SOBRE SUA LUTA CONTRA ANSIEDADE. QUANDO PERCEBEU QUE ERA UM PROBLEMA PARA VOCÊ?

No final de 2015 e começo de 2016. Tive um TOC [transtorno obsessivo-compulsivo] terrível, e saiu totalmente do controle. Eu acordava com o coração super acelerado e pensamentos muito negativos, intrusivos e compulsivos. Eu estava tão dentro da minha cabeça e não sabia o que estava acontecendo. Agora eu entendo totalmente, tendo passado por isso, por que não deveria haver tanto estigma em doenças mentais, porque é uma coisa bem comum para as pessoas. Mas você pode conseguir ajuda. Se está dedicado em melhorar, você pode – porque estou em uma posição muito melhor agora. Comecei a ler livros sobre isso e isso me ajudou muito quando entendi [a doença], e que [os pensamentos que eu estava tendo] não eram reais. Às vezes você precisa se lembrar de desacelerar e cuidar de si mesmo.

QUEM TE AJUDOU NESSE PROCESSO?

Minha mãe é minha melhor amiga, eu posso contar tudo a ela. Porque ela passou por tanto em sua vida, ela sabe o que é importante o que não é. Sinto que na indústria há coisas lindas e incríveis. Mas a única coisa que amo nisso é fazer música. O resto todo pode ser bem vazio e esgotador, sem alma. Minha mãe sempre foi boa em me levar ao que é real. Voltar para Miami e ficar na cama com a minha família, todos juntos e assistindo La Família Peluche… Ir ao estúdio e despejar meu coração…

FALANDO DE MÚSICA, VOCÊ É AMIGA DA TAYLOR SWIFT. ELA TAMBÉM É UMA MENTORA?

Nossa amizade nunca foi sobre carreira ou nada profissional. Eu falo com ela sobre garotos e choro com ela sobre garotos. Ela me dá conselhos tipo, “Não, não responda a mensagem.” Mas estou tão animada para o dia em que vou poder mostrar minha música para ela porque sinceramente ela é uma das razões pelas quais comecei a compor. Sinto que temos algo bem legal em que podemos ser só garotas, falando de crushes bobas. É o melhor.

VOCÊ TEM SIDO RESERVADA SOBRE SUA VIDA AMOROSA. POR QUÊ?

Redes sociais são estranhas porque as pessoas às vezes se prendem muito nelas. Mas entendo isso, porque já fui fangirl. Amor é a coisa mais importante pra mim no mundo. Sou uma romântica sem cura. Estou lendo Amor nos Tempos de Cólera. É tipo “Eu sou a Florentina!” Quando me apaixono por alguém, faço tudo pela pessoa. É provavelmente porque sou latina. Sou tão apaixonada, e cresci ouvindo boleros e canções de amor. É engraçado quando você traduz a música para o inglês, soa tão brega de tão apaixonada que é a linguagem. Se você dissesse isso em inglês, as pessoas ficariam tipo “que diabos, cara? Você está bem?” Mas em Espanhol é normal. Entendo por que as pessoas estejam interessadas em minha vida amorosa, mas não quero dar-lhes esse pedaço de mim porque é a parte mais importante. Eis a minha vida dos sonhos: quero fazer músicas e ter experiências incríveis com as pessoas. Não quero ficar trancada em um quarto de hotel e só fazer imprensa e tapetes vermelhos. Não é o tipo de vida que quero viver. Quero fazer música, mas também quero fazer uma viagem com meus amigos. Quero fazer mochilão pela Europa. Quero conhecer um garoto espanhol na Espanha e me apaixonar.

QUANDO VOCÊ CONHECEU O PRESIDENTE OBAMA, VOCÊ CHOROU E AGRADECEU A ELE POR TUDO QUE FEZ PELA IMIGRAÇÃO. AGORA TEMOS UM PRESIDENTE COM UMA VISÃO COMPLETAMENTE OPOSTA…

A esse ponto ele é presidente, mas trata-se de fazer nossas vozes serem ouvidas e deixar que ele saiba que não vamos nos render à sua linguagem de ódio contra nosso povo, muçulmanos, pessoas de cor, gays, pessoas com deficiência – todos que ele silenciou para chegar onde chegou. Vamos nos defender. Ele precisa ser um bom presidente, não somente para os que votaram nele mas por todos nós, até as pessoas que ele machucou e insultou [Camila tem verbalizado em suas redes sociais e participado de protestos anti-Trump], mas isso chegou tão perto de casa para mim que não se tratava mais de políticas, era uma questão humana. É muito importante para mim poder dizer [para os fãs], “Ei, sou uma imigrante! Sou cubana e mexicana! Trabalhei duro e agora estou vivendo meus sonhos e vocês também podem.”

 

Clique aqui para ver o restante das fotos que já estão disponíveis em nossa galeria.

Adicionamos em nossa galeria os scans da revista Seventeen (edição de Março/Abril de 2017) cuja capa e matéria principal é com a Camila. A entrevista traduzida de todas as páginas também segue abaixo!

001.jpg  scan01.jpg  scan07.jpg

  • Página 1 (ÍNDICE)

Para sua primeira capa solo, a estrela pop foi estilizada por nosso Senior Fashion Editor James Worthington DeMolet (que também vestiu a Camila para seu clipe de Bad Things). Mas havia outra pessoa ali também que deu conselhos: sua mãe!

Camila trouxe seu violão para o set para tocar caso houvesse um tempo livre. Estávamos animados para ouvir no que ela estava trabalhando, mas acabou não tirando nenhum tempo de folga!

A cantora estava cheia de energia e dançou o dia todo ao som de músicas antigas dos anos 90.

Depois da sessão de fotos, ela foi para Miami para alguns dias de descanso. Mandamos uma sacola de presentes para ela no avião e o biquíni que ela usou em nossas fotos – é possível ver a parte de cima embaixo da blusa vermelha na foto de capa da revista.

  • Página 4

“Não quis que as coisas acabassem daquela forma.” É isso que Camila Cabello quer que você saiba sobre o que aconteceu em Dezembro quando as outras quatro integrantes do Fifth Harmony anunciaram que ela estava saindo do grupo. Ela sabe que o seguinte ela disse-elas disseram nas redes sociais pode ter sido confuso para alguns harmonizers, mas Camila não quer desenterrar drama antigo. “Eu disse tudo que queria dizer na carta que escrevi,” ela explica.

E por que olhar para trás? Com o lançamento de sua carreira solo (espere um álbum neste outono americano), a nascida cubana de 19 anos prefere falar sobre o futuro. “Estou animada para compartilhar quem eu sou com as pessoas,” ela diz. “Fifth Harmony não era a máxima expressão de mim individualmente. Meus fãs vão realmente me conhecer pela música que estou escrevendo. Meu objetivo é ser corajosa e abrir minha alma.” Um dos primeiros passos para alcançar esse objetivo: confessar aqui sobre suas dificuldades secretas, sua (não existente) vida amorosa, e seus maiores sonhos. Você está prestes a conhecer a Camila que mal aguentava esperar para sair.

SOBRE SAIR DE FIFTH HARMONY

Por que ela teve que sair.

“Agora é a hora certa de mudar o foco para minha música solo. Claro, não foi fácil, mas sempre entendi que o propósito todo da vida é ser realizado e seguir seus sonhos. Se não acha que está fazendo isso onde está, é seu trabalho fazer uma mudança.”

Ela não tem ressentimentos por ninguém do grupo

“Vou continuar a desejá-las tudo do melhor e estou feliz que continuem suas jornadas como FIfth Harmony. Também estou animada para ouvir novas músicas do grupo e de seus projetos solo.”

O apoio pós-separação foi tudo para ela.

“Eu estou tentando ficar longe das redes sociais já faz dois anos agora. Tem sempre muita coisa negativa lá. Mesmo que você leia 100 mensagens de amor, a maldosa é a que você se lembra. Mas eu vi muito amor e apoio dos meus fãs. Honestamente, eu não esperava isso. Eu estava tão emotiva naquele momento, que quando vi algumas coisas motivadoras que as pessoas estavam dizendo, eu explodi em um choro feio.”

SOBRE SUA ANSIEDADE

“Eu tinha 15 anos quando audicionei para o The X Factor e desde então tem sido uma loucura sem fim,” diz a cantora. Ela admite que que sente sobrecarregada pela fama e sua agenda corrida mas teve dificuldades em verbalizar o que sentia. “Minha ansiedade tem sido muito sobre minhas emoções tentando sair. Na superfície, eu provavelmente parecia bem – talvez um pouco mais quieta que o normal – mas dentro de mim uma tempestade crescia.” Depois de buscar ajuda profissional, ela diz, “estou muito melhor e mais forte, e sei como lidar com situações complicadas ao invés de sair correndo delas.” Aqui o que mais ela aprendeu:

– ENCONTRE UM ESCAPE

“Escrever em diário é definitivamente algo que eu recomendaria, e compor músicas tem sido muito terapêutico. Todos têm uma pessoa criativa dentro de si. Você só precisa incorporá-la.”

– ABRA-SE COM ALGUÉM

“Falar com a minha mãe tem me ajudado muito. É importante verbalizar quando você se sente ansioso.”

– APERTE O FREIO

“Às vezes você precisa se lembrar de desacelerar um pouco e cuidar de si mesmo – respire e faça uma caminhada por 5 minutos.”

  • Página 5

“Não tenho medo. Sinto que isso é algo que vem crescendo dentro de mim por um longo tempo.”

  • Página 6

“Nunca estive em um relacionamento longo antes – e por longo quero dizer que tenha durado mais de um mês.”

  • Página 7

SOBRE AMOR

Não, ela não está saindo com ninguém.

“Queria poder dizer que estou namorando escondido e sendo misteriosa, mas a realidade é que literalmente não tenho contato com o sexo oposto. Nunca vejo pessoas da minha idade porque no último ano inteiro fiquei viajando em turnê com a minha mãe.”

Os garotos sobre os quais ela canta não são reais.

“Apesar de ter 19 anos, literalmente nunca tive um relacionamento longo. Então, quando mostro minhas músicas às pessoas, ficam tipo, ‘Sobre quem é? Nunca te vi com um garoto.’ Eu crio todas essas fantasias na minha cabeça. Há esse tema constante de amor não correspondido e eu amar pessoas de longe.”

Ela gosta de um bad boy.

Por quê? “Quando garotas têm uma inocência ou falta de experiência, a figura de um bad boy é atraente – a coisa toda de fruto proibido que traz à tona um lado selvagem em você. Isso é animador.”

Ela está feliz solteira agora.

“Não necessariamente quero estar em um relacionamento; Só quero ter experiências com as pessoas e criar memórias. Quero ter um encontro mágico com um garoto. Amo esse sentimento no estômago, de borboletas e sonhar acordada – esse tipo inicial de amor é tão divertido e nada se compara a isso.”

SEUS FAVORITOS

Filtro do Snapchat: “Veado com voz aguda.”

Comida porcaria: “Pizza. Adoro comer comidas horrívies. Amo muito. Sério, uma das melhores partes de ser humano é comida.”

Cidade: “Miami. Em casa é literalmente onde sou mais feliz – onde me sinto mais completa.”

Emoji: “O coração com exclamação.”

Música para se arrumar: “Caroline, de Aminé.”

Forma de passar o dia: “Escrevendo, assistindo filmes.”

Livro: “O Amor nos Tempos do Cólera.”

Essenciais de beleza: “Para mim, bom rímel é muito importante. Adoro esse.”

Filme: “Avatar”

  • Página 8

A NOVA CAMILA

Ela está pronta para compartilhar sua história pela música…

“Eu estava escrevendo músicas literalmente por todo o tempo que fiquei no Fifth Harmony – desde quando tive meu primeiro beijo até agora. Tudo trata-se de minhas histórias pessoais e experiências. Criei uma trilha sonora da minha adolescência. Vai ser bem legal as pessoas ouvirem o que se passa na minha cabeça e na minha vida pelos últimos três anos.”

… então espere todos os sentimentos.

“Com música, você pode ser esquisito, pode ser exposto, louco, triste – colocar os extremos de emoção humana em uma música que é o que a torna mágica. É minha forma de sair de toda minha loucura. Escrevi sobre ansiedade e ficar nervosa, sobre ter o coração partido. Se você não está escrevendo música sobre os cantos mais vulneráveis de sua mente, então não está fazendo certo.”

5H definitivamente influenciou o que você vai ouvir.

“Fifth Harmony trouxe à tona um lado mais confiante e sexy de mim. As músicas que eu escrevia há três anos eram super acústicas e meio folk. Agora quero incorporar o R&B nelas, bateria – quero fazer músicas para as pessoas dançarem também, e eu jamais teria descoberto isso se não fosse pelo grupo.”

E agora ela está pensando em uma colaboração dos sonhos com…

“Ed Sheeran. Ele é incrível em colocar amor, emoção, e sentimento em palavras. Eu adoraria vê-lo entrar em uma sala e ver como ele faz sua mágica. Ele sempre fala sobre o quanto ele ama fazer músicas do coração, e isso é algo que eu me empurrei a fazer no meu processo de composição também.

Acima de tudo, ela está animada pelo que vem a seguir.

“Eu realmente não consegui fazer a coisa de ser adolescente. Eu era tímida no ensino médio: eu ia para a escola, voltava para casa e assistia vídeos no YouTube. Estar na música me empurrou para superar isso. Eu passei por muita autodescoberta nos últimos anos, descobrindo quem eu sou e me sentindo confortável com apenas ser eu. Eu atraí muitas grandes pessoas para minha vida dessa maneira, apenas sendo eu mesma. Agora eu só quero sair por aí, conhecer pessoas, aprender sobre elas e fazer amigos.”

SOBRE MODA

Camila constantemente arrasa no tapete vermelho, então aqui vai uma notícia surpreendente: ela odeia comprar roupas. “É tão chato!” ela diz. “Há tantas coisas e fico cansada só de olhar. A ideia de combinar roupas para o visual me estressa!” Então como ela mantém seu estilo incrível? Seguindo essas duas simples regras:

– NÃO SEJA ESCRAVO DO QUE ESTÁ NA MODA

“Estilo é uma forma de se expressar. Vestir e seguir a moda me faz sentir como qualquer outra garota. Encontre algo que seja único para você – mesmo que seja esquisito. Passei por um período em que eu usava muito laços e essa era minha coisa, fazia com que eu me sentisse diferente das outras garotas no meu grupo.”

– ENCONTRE PEÇAS QUE TE FAÇAM SENTIR CONFIANTE – E FIQUE NELAS

“Para mim, eu adoro peças com gola alta. Literalmente não uso mais nada. Sou pequena em cima – em outras palavras, não tenho peitos – mas usar gola alta ou chokers faz com que eu me sinta maior.”

SOBRE BELEZA

Quando se trata da vida de glamour, Camila gosta de manter as coisas relaxadas – por isso jamais a encontrará em um salão de unhas. “Manicures, pedicuros, massagens – MEU DEUS, isso me enlouquece! Minhas unhas estão uma bagunça agora porque me recuso a ir. A maioria das pessoas se sentem relaxadas, mas odeio ficar sentada quieta.”

Mesmo que se arrumar não seja sua coisa, ela diz que cuidar da pele é uma prioridade: “É muito importante porque quero estar bonita daqui 10 anos!”

– SUAS ESPINHAS

“Saem muitas quando como comidas ruins, mas que seja, vivo por chocolate e pizza e produtos laticínios. Quando como alguma coisa, fico tipo, isso vale a pena uma espinha? E, se sim, eu vou em frente. Tipo os bolos de lava de chocolate em restaurantes – sempre valem a pena!” Para remedir qualquer uma que apareça, ela usa Clean & Clear Advantage Acne Spot Treatment. “Funciona! Usei em uma espinha ontem e está visivelmente menor hoje.”

– O SEGREDO DE SUA PELE PERFEITA

É só falar da Sephora Collection de máscaras faciais e Camila fica animada. “São tão boas!” ela diz. “Compro muitas delas – são tão baratas, você só tem que colocar por 10 minutos, e não fazem bagunça além de hidratar muito a sua pele,” ela comenta. Suas preferidas: Algae e Pearl.

  • Página 9

“Esse ano vai ser tão especial para mim, não importa qual seja o resultado final.”

Durante a noite do GRAMMYs, Camila registrou momentos enquanto se arrumava e também ao chegar na festa para a revista Vogue. Confira a tradução do artigo e as fotos em nossa galeria.

Comparecer ao Grammys é um marco para qualquer artista, mas, para Camila Cabello, o momento representava uma incrível sequência de ‘primeiras vezes’. Debutando como artista solo em uma premiação, Cabello usou a oportunidade para selecionar um look que representava exatamente seu estilo pessoal. Como uma estrela que falou sobre a super sexualização de artistas femininas pela indústria da música, Cabello buscou focar em seu amor por modas fantásticas ao invés de mostrar pele. “Só queria me sentir eu mesma,” disse Cabello por e-mail após a premiação. “Amo fantasia; amo contos de fada, e meu vestido tinha esse sentimento etéro, com os tons pastéis e as flores – era muito sensível e suave.” Trabalhando com a estilista Karla Welch, Cabello escolheu um vestido delicado da Miri Couture que deu um momento de princesa à noite. Acessorizada com a bolsa brilhante Judith Leiber e um choker de diamante da Jacob & Co., o visual se destacou em meio ao mar de vestidos colados pretos.

Desenvolver seu estilo pessoal tem sido uma jornada, mas Cabello aprendeu bastante nos últimos meses. Ela está cultivando e crescendo uma lista de designers que ama e descobrindo seu guarda-roupa pessoal. “Acho que meu estilo evolui junto com minha personalidade,” diz Cabello, que cita ícones como Audrey Hepburn e Coco Chanel como inspirações. “Quando me arrumo, prefiro visuais clássicos, e quando é algo casual, gosto de camisetas e calças de moletom.” Apesar de ainda ser fã de peças casuais, com seu visual no Grammys Cabello prova que é adepta de encorporar a elegância no tapete vermelho. Agora confortável em afirmar seu ponto de vista sartorial, Cabello está pronta para tirar uma página de seus ídolos estilosos. “Amo qualquer um que faça algo diferente que expresse quem são.”

003.jpg  004.jpg  002.jpg

Camila Cabello quer ser ‘corajosa’ depois da saída do Fifth Harmony: não era o máximo da minha expressão individualmente

Apenas a chame de “Miss Movin’ On.”. Camila Cabello aparece na capa de março/abril da revista Seventeen, e a PEOPLE tem um olhar exclusivo na sua conversa com a revista adolescente, a primeira entrevista que ela fez desde que saiu de Fifth Harmony em dezembro.

Abaixo, suas maiores revelações, desde a razão de sua saída do grupo e o porquê de ela procurar Taylor Swift para conselhos sobre garotos até quem é seu crush compositor.

Ela saiu de Fifth Harmony pois….

“Fifth Harmony não era a máxima expressão de mim individualmente”, diz ela para Seventeen. “Meus fãs vão realmente me conhecer pela música que estou escrevendo. Minha meta é ser corajosa e abrir minha alma.”

Em dezembro, os quatro membros restantes do grupo – Ally Brooke, Dinah Jane, Lauren Jauregui e Normani Kordei – anunciaram nas redes sociais que Camila Cabello, 19, havia deixado o grupo.

“Nós estávamos realmente magoadas. Nós estivemos juntas por quase cinco anos, passamos por altos e baixos,” os membros restantes escreveram depois online. “Embora esse não seja o caminho que nenhuma de nós teria querido que terminasse, nós tivemos que começar a formular um plano e construir um caminho para Fifth Harmony seguir em frente, sem Camila.”

Cabello respondeu à nota de suas antigas companheiras de grupo postando em suas redes sociais: “As garotas sabiam dos meus sentimentos pelas longas e muito necessárias conversas sobre o futuro que tivemos durante a turnê…. Não que as coisas com Fifth Harmony terminassem dessa maneira. Por mais triste que seja ver esse capítulo acabar dessa forma, vou continuar a torcer por todas individualmente e como um grupo, não desejo nada além do melhor para elas, todo o sucesso do mundo e verdadeira felicidade. ”

Taylor Swift lhe dá “conselhos sobre garotos.”

“Taylor é sempre a pessoa que eu vou para conselhos sobre garotos.”, Cabello diz sobre sua amiga Swift, 27. “A razão pela qual nós nos tornamos amigas foi puramente porque pensamos da mesma maneira sobre um monte de coisas: nós duas somos realmente sensíveis e emocionais quando se trata de amor. Nós amamos amar, e amamos escrever músicas sobre amor,” ela adicionou.

Desde a sua ascensão à fama no X Factor em 2012, Cabello aprendeu muito abre si mesma através de experiências na indústria e amizades que ela fez, incluindo seu vínculo com Swift.

“Eu realmente não consegui fazer a coisa de ser adolescente. Eu era tímida no ensino médio: eu ia para a escola, voltava para casa e assistia vídeos no YouTube,” ela disse. “Estar na música me empurrou para superar isso. Eu passei por muita autodescoberta nos últimos anos, descobrindo quem eu sou e me sentindo confortável com apenas ser eu. Eu atraí muitas grandes pessoas para minha vida dessa maneira, apenas sendo eu mesma. Agora eu só quero sair por aí, conhecer pessoas, aprender sobre elas e fazer amigos.”

Ela nunca esteve em um relacionamento sério.

“Mesmo tendo 19 anos, eu literalmente nunca tive um relacionamento longo,” Cabello — que já teve rumores sobre ter namorado seu amigo Shawn Mendes — falou para Seventeen. “Então quando eu mostro para as pessoas minhas músicas, elas ficam tipo, ‘Sobre quem é isso? Eu nunca vi você com um garoto.’ Eu crio todas essas fantasias na minha cabeça. Há um tema constante de amor não correspondido e eu amar pessoas de longe.”

Quando ela saiu de Fifth Harmony, ela “explodiu em um choro feio” por conta da manifestação de apoio que recebeu dos fãs.

“Eu estou tentando ficar longe das redes sociais por dois anos agora. Tem sempre muita coisa negativa lá. Mesmo que você leia 100 mensagens de amor, a maldosa é a que você se lembra.”, diz a cantora, que apresentou no Grammy no domingo. “Mas eu vi muito amor e apoio dos meus fãs. Honestamente, eu não esperava isso. Eu estava tão emotiva naquele momento, que quando vi algumas coisas motivadoras que as pessoas estavam dizendo, eu explodi em um choro feio.”

Ed Sheeran é seu crush compositor.

“Ele é incrível em colocar amor, emoção, e sentimento em palavras”, ela diz sobre o cantor de “Shape of You”. “Eu adoraria vê-lo entrar em uma sala e ver como ele faz sua mágica. Ele sempre fala sobre o quanto ele ama fazer músicas do coração, e isso é algo que eu me empurrei a fazer no meu processo de composição também.

Antes da saída de Fifth Harmony, Camila Cabello foi entrevistada por Lena Dunham, em nome do Lenny Letter. A entrevista completa, em primeira mão e em inglês em português traduzido por nossa equipe, você encontra abaixo.

 

Camila Cabello is only nineteen, but she’s already a tried and tested veteran: a member of girl group Fifth Harmony since she was fifteen — having left last month amid much internet fanfare — she can explain the ins and outs of the glittery but fickle pop-music industry like someone much older. It’s this candor about the joys and challenges of her profession (as well as a killer voice and a DGAF attitude) that initially made me a Camila fan, and I was thrilled at the chance to ask her about what keeps her sane, life as a Latina in the public eye during this election year, and the commodification of teen sexuality.

She was wise, open, and giggly, and I found myself listening to her social-media advice like she was my middle-aged therapist. This interview, given a few days before her exit from Fifth Harmony, is evidence that she’s only just begun to tell her story and that what comes next will be on her own terms (and may involve space travel to Planet Sexy).

Lena Dunham: You were thrust very quickly into the world of teen pop, and obviously there are stories of people who’ve been really taken care of in that world, but there are stories of people who’ve really lost their way. What have been the things that have kept you from going off the rails?

Camila Cabello: I think what’s kept me from, like you said, going off the rails, is my mom. I have my mom with me all the time. I literally don’t think I could function without her. She’s been through so much in her life that’s real shit. She came from Cuba. My family came from places where a lot of people didn’t have food to eat. Whenever there’s stuff here, little stuff that could make you angry or makes you forget that we have so much to be grateful for just having hot water, my mom makes sure to remind me of what’s important. I’m so happy to have her around. I really don’t think I could do it without her.

LD: That’s amazing. Speaking of your mom, she is Cuban. I want to ask about being a Latina in the music industry. Although there is diversity, you’re online and you deal with the craziness of trolls and the kind of inherent racism that comes with living in America right now. I wondered if you ever feel that? How do you feel strong and connected to your identity when we’re living in such a strange time with so much hateful rhetoric around difference?

CC: The best decision that I’ve taken in my career thus far has been this year I’ve just stayed away from social media. I don’t go on it, and I just keep myself focused on getting better and growing as an artist and finding different ways to grow as a person. It’s just kept me grounded, and I don’t have 1,000 people thinking that they didn’t like my shoes. Even though I know that there’s way more support than there is hate, I don’t have that in my head. That was one thing.

Anyway, as far as the Latina thing, I feel like this has kind of been a crazy year for us because of everything that happened with the election. I didn’t even realize how much racism was still prominent in our country. I live in Miami, and there’s so many cultures there. I remember going to school, and 99 percent of the students there, their parents didn’t have English as their first language. I don’t come from a place where that’s even a thing, you know what I mean? There’s Cubans, there’s Puerto Ricans, there’s Haitians. It’s a melting pot. Just like I imagine New York is. If you’re a racist living in Miami, you got to move because you’re going to be seeing your worst nightmare everywhere.

I saw so many videos and so many Latino anchors from news that I watch interviewing people that just hated us and thought that we were inferior. It made me realize, Whoa, this is really still happening. I feel like in a way that’s just kind of made me prouder of my roots. To be honest with you, I didn’t think that I would be as politically outspoken as I was this year about the election. I know that it’s a really personal decision, voting.

LD: This is the first year you could vote, right?

CC: Yeah, this is the first year I could vote. All of the things that were being spoken about hit so close to home, to me being an immigrant and being a Latina, that I just felt a responsibility to stick up for my people and my culture. Just seeing all of the debates and me and my family around talking. Seeing all of the passion in their eyes because they’re the people being spoken about. Now and forevermore, I’m going to stick up for immigrants and I’m going to stick up for Hispanic people and their rights. I feel like that’s just my job.

LD: That’s really beautiful. Speaking of using your voice, there’s a lot of pressure on young women to present themselves as full-time sex symbols. I wonder how you balance being who you are with the demand of putting forth an image of constant young, free, excited sexuality? Have you ever had to push back against something that someone was asking you to do?

CC: Oh my God. Yeah, definitely. Especially with being a girl group, there’s been a lot of times where people have tried to sexualize us to just get more attention. Unfortunately, sex sells. There’s definitely been times where there’s stuff that I have not been comfortable with and I’ve had to put my foot down. There’s nothing wrong with showing sexuality. If you have that inside, it’s just an expression of who you are. If you want to share that with people, that’s amazing. I love that. Look at Rihanna. She’s so sexy. She comes from Planet Sexy. I worship her. I really, really do.

I definitely think being a young girl, there’s a time where — like when you’re in middle school or when you first start liking boys — you don’t really feel comfortable. You remember that time when you first got your period, or when your boobs started coming in, that you were like, This is weird. You have to grow into yourself. I feel like it’s been tricky because we’ve had to grow into ourselves while being in front of the world and while making songs that did have a lot of sexual undertones.

LD: Like the song that my partner Jack wrote for you, “Dope.” It’s beautiful, and your voice sounds beautiful on it, but it’s definitely about a sexual infatuation, and that is what people want to hear from young women if they’re sort of given the choice.

CC: Totally. I’ve realized that growing into myself now, I think two years ago I would’ve been afraid to sing about that. That’s completely natural because I wasn’t ready yet. I think the thing that I would say to young women is, if you’re not ready for it, put your foot down.

This interview has been condensed and edited.

E a tradução:

Camila Cabello tem apenas dezenove anos, mas já é uma veterana experiente: membro da girl group Fifth Harmony desde que tinha 15 anos – tendo saído no mês passado em meio a muita fanfarra da internet – ela pode explicar os prós e contras da cheia de glitter mas inconstante Indústria pop musical como alguém muito mais velho. É esta sinceridade sobre as alegrias e desafios de sua profissão (bem como uma voz incrível e uma atitude que não se importa) que inicialmente me fez um fã de Camila, e fiquei emocionada com a oportunidade de perguntar sobre o que mantém sua vida saudável, sobre a vida como Latina no olho público durante este ano eleitoral, e a mercantilização da sexualidade adolescente.

Ela foi sábia, aberta e risonha, e me vi ouvindo seus conselhos de rede social como se ela fosse minha terapeuta de meia-idade. Esta entrevista, dada alguns dias antes de sua saída da Fifth Harmony, é prova de que ela está apenas começando a contar sua história e que o que vem em seguida será em seus próprios termos (e pode envolver viagens espaciais para o Planeta Sexy).

Lena Dunham: Você foi colocada muito rápido no mundo teen pop, e obviamente tem histórias de pessoas que cuidam muito bem desse mundo, mas tem histórias de pessoas que se perderam no caminho. Quais foram as coisas que te impediram de sair dos trilhos?

Camila Cabello: Eu acho que o que me manteve de sair dos trilhos, como você falou, foi a minha mãe. Eu tenho a minha mãe o tempo todo. Eu literalmente não sei como eu poderia funcionar sem ela. Ela tem passado por tanta coisa na vida dela. Ela veio de Cuba. Minha família veio de lugares onde muitas pessoas não tinham comida. Sempre que tem alguma coisa aqui, pequenas coisas que te deixam irritado ou que te fazem esquecer que tem tanta coisa para serem gratos, por apenas ter água quente, minha mãe me faz lembrar do que é importante. Sou muito feliz por tê-la por perto. Eu realmente não acho que conseguiria fazer isso sem ela.

LD: Isso e incrível. Falando na sua mãe, ela é cubana. Eu quero te perguntar sobre ser uma Latina na indústria musical. Mesmo que tenha diversidade, você está online e você lida com a doideira de trolls e o racismo hereditário que vem junto com viver na América agora. Imagino se você já sentiu isso? Como você se sente forte e conectada com sua identidade quando estamos vivendo em tempos tão estranhos e com tanto ódio retórico por volta da diferença?

CC: A melhor decisão que eu tomei em minha carreira até agora foi que esse ano eu fiquei longe de redes sociais. Eu não entro lá, e apenas me mantenho focada em ficar melhor e crescer como um artista e encontrar maneiras diferentes de crescer como uma pessoa. Isso me manteve no chão, e eu não tenho mil pessoas pensando que não gostavam de meus sapatos. Mesmo que eu saiba que há muito mais apoio do que ódio, não tenho isso na minha cabeça. Isso foi uma coisa.

Enfim, no que diz respeito à coisa Latina, sinto que tem sido um ano louco para nós por causa de tudo o que aconteceu com a eleição. Nem percebi o quanto o racismo ainda era importante em nosso país. Eu moro em Miami, e há tantas culturas lá. Lembro-me de ir para a escola, e 99 por cento dos alunos lá, seus pais não tinham inglês como sua primeira língua. Eu não venho de um lugar onde isso é mesmo uma coisa, sabe o que eu quero dizer? Há cubanos, há porto-riquenhos, há haitianos. É um caldeirão. Assim como eu imagino que Nova York é. Se você é um racista vivendo em Miami, você tem que se mudar porque vai estar vendo o seu pior pesadelo em todos os lugares.

Eu vi tantos vídeos e tantas âncoras latinas de notícias que eu assisto entrevistando pessoas que apenas nos odiavam e pensavam que éramos inferiores. Isso me fez perceber, whoa, isso ainda está acontecendo. Sinto como que, de alguma maneira, isso apenas me deixou mais orgulhosa das minhas raízes. Para ser honesta com você, não achei que eu seria tão politicamente franca como fui este ano sobre a eleição. Sei que é uma decisão muito pessoal, votar.

LD: Esse foi o primeiro ano que você pode votar, certo?

CC: Sim, este foi o primeiro ano em que eu pude votar. Todas as coisas que estavam sendo faladas chegaram tão perto de casa, eu sendo uma imigrante e uma Latina, que senti uma responsabilidade de defender meu povo e minha cultura. Só vendo todos os debates e eu e minha família conversando. Vendo toda a paixão em seus olhos porque eles são as pessoas que estão sendo faladas. Agora e para sempre, eu vou defender os imigrantes e defender os hispânicos e seus direitos. Sinto que esse é o meu trabalho.

LD: Isso é muito bonito. Falando em usar sua voz, há muita pressão sobre as mulheres jovens para se apresentarem como símbolos sexuais de tempo integral. Me pergunto como você equilibra ser quem você é com a demanda de colocar uma imagem constante de jovem, animada, livre, animada sexualidade? Você já teve que lutar contra algo que alguém estava perguntando você para fazer?

CC: Meu Deus. Sim, definitivamente. Principalmente por ser parte de uma girl group, muitas vezes as pessoas tentavam nos sexualizar só para chamar mais a atenção. Infelizmente, sexo vende. Definitivamente há vezes em que não me senti confortável com essas coisas e tive que bater o pé. Não há nada de errado em mostrar sexualidade. Se tem isso dentro de si, é só uma expressão de quem você é. Se quer compartilhar isso com as pessoas, é incrível. Eu adoro isso. Olha a Rihanna. Ela é tão sexy. Ela veio do Planeta Sexy. Eu a venero. De verdade.

Eu definitivamente acho que, sendo uma jovem menina, há um momento em que – como quando você está no ensino médio ou quando você começa a gostar de meninos – você realmente não se sente confortável. Você se lembra daquela época em que teve sua primeira menstruação, ou quando seus peitos começaram a crescer, que você ficava tipo, Isto é estranho. Você tem que crescer em si mesma. Sinto que foi complicado porque tivemos que crescer em frente ao mundo e fazendo músicas que continham muitas insinuações sexuais.

LD: Como a música que meu parceiro Jack escreveu para vocês, “Dope”. É linda, e sua voz soa linda nela, mas é definitivamente sobre uma paixão sexual, e é isso que as pessoas querem ouvir de mulheres jovens se elas se lhe forem dadas escolhas.

CC: Totalmente. Eu percebi isso quando cresci, acho que dois anos atrás eu teria medo de cantar sobre isso. Isso é completamente natural porque eu não estava pronta ainda. Acho que meu conselho para as mulheres jovens é, se você não está pronta, bata o pé.

Essa entrevista foi condensada e editada.