ENTREVISTA: Billboard Magazine

19 fev 2017

Camila estampa a capa da nova edição da revista da Billboard! A cantora deu uma entrevista exclusiva (que segue traduzida abaixo) e tirou fotos para a revista de música. Detalhe: algumas das fotos foram tiradas com um iPhone 7 Plus! Confira as fotos na nossa galeria:

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Foi divulgado também um vídeo de entrevista para Chelsea Briggs, que legendamos abaixo.

CAMILA CABELLO ESTÁ ATRASADA PARA O BRUNCH. Mas não atrasada tipo uma rock star mal-humorada se escondendo atrás de óculos de sol. Mais como uma menina de 19 anos que confundiu o endereço. Ela corre pelo salão do Versailles, um restaurante Cubano em San Fernando Valley em Los Angeles, cabelo perfeito e se desculpando constantemente, tendo acabado de vir do outro Versailles, no centro da cidade. Assim que ela senta nessa manhã de Domingo de meio de Janeiro, exibindo um sorriso amplo e desarmante, a cantora – que nasceu em Cuba, reside em Miami e está atualmente em uma moradia alugada aqui – diz, “Eu cuido do que vocês vão comer.” Ela então segue para fazer o pedido, em um Espanhol rápido, uma montanha de comida: limonadas, bifes, arroz, feijão, platanitos, croquettes, flan.

Confusão, stress, a promessa de um esplêndido banquete: essa basicamente foi a história da vida recente de Cabello. Somente um mês antes desse fim de semana ela ainda era integrante do Fifth Harmony, o girl group mais bem sucedido desde Destiny’s Child, com mais de 7 milhões de músicas digitais vendidas, de acordo com Nielsen Music. Antes do ano terminar, ela era uma artista solo enfrentando acusações de suas companheiras de banda (que saiu do grupo através de seus representantes depois de evitar uma série de intervenções da gravadora e sessões de terapia) e até tweets de ódio de fãs zelosos (veja: #CamilaIsOverParty).

Mas essa é a parte da confusão e stress. Durante o mesmo tempo, Cabello teve muito para comemorar. A cantora, que havia colaborado fora de 5H por algum tempo, lançou o obscuro e sexy rap “Bad Things” com Machine Gun Kelly no último Outubro e subiu nos charts. (Agora é No. 1 no Top 40 Mainstream). E esse nem é seu primeiro hit: “I Know What You Did Last Summer”, o dueto de 2015 com Shawn Mendes, teve seu pico em No. 20 na Billboard Hot 100. Ela tem números em redes sociais para rivalizar com os da banda (3.4 milhões de seguidores no Twitter contra 3.8 milhões de 5H e 8.8 milhões no Instagram contra 8.2 de 5H), uma participação em música do Major Lazer e sessões de estúdio marcadas para capitalizar com êxito o que parece, em retrospecto, uma inevitável transição para o estrelato solo. “Seria preciso uma grande força para impedi-la de dominar o mundo”, diz seu amigo Mendes, acrescentando: “Ela era uma excelente parceira de escrita. Eu mal tive que falar e ela sabia exatamente o que eu queria dizer.”

Mas Cabello, cujo álbum deve sair neste outono americano, já tinha fama, fortuna e fãs obcecados. O verdadeiro presente, depois de cinco anos de turnê sem parar, gravando e meet & greets com 5H, é o gosto da liberdade. “Sabe aquela citação, ‘No silêncio, você encontra Deus?'”, pergunta Cabello, que – com seu choker de renda, camiseta branca e um casaco preto de banda de marcha – se parece com uma pequena (ela tem 1,57m) comandante de um exército de diversão e moda. “Sinto que pude ouvir tudo que meu coração estava me dizendo.”

O coração, é claro, pode ser um guia pouco confiável e, ao ir solo, Cabello está arriscando mais do que os estilingues e flechas dos harmonizers infelizes. (Fãs de 5H – que ganham facilmente enquetes de votações, como a Song of the Summer do MTV Video Music Awards, em que Work From Home ganhou de músicas enormes por Calvin Harris e Drake – não devem ser subestimados). Somente uma mulher recentemente saiu de um girl group para uma carreira solo colossal, e não é qualquer mulher: É a Beyoncé. Os modelos mais próximos para Cabello talvez sejam seus companheiros de programas de talento One Direction. Mas nenhuma de suas trajetórias funcionaram para uma mulher que precisa, ao que parece todas jovens estrelas femininas devem, em algum momento, apelar para a sensualidade. Zayn Malik negou seu passado, grafitou sua casa, escondeu-se sob uma nuvem de maconha e foi devagar no seu álbum, o que o deixou mais descolado. Niall Horan fez uma viagem de mochileiro, redescobriu o folk-rock dos anos 70 e lançou uma carreira como trovador, o que o deixou mais sonhador. Harry Styles já é considerado uma estrela do rock sem sequer ter cantado uma nota solo.

Cabello, para que não seja julgada, deve ser sedutora, mas pura de coração, forte, mas vulnerável, auto-possuída, mas não egoísta. De certa forma, regras de girl group ainda se aplicam. Mas isso não a impediu de aproveitar seu ímpeto, e não apenas indo ao estúdio e levando “Bad Things” ao Ellen DeGeneres Show com Machine Gun Kelly em Janeiro (sua primeira aparição na TV pós-5H, um mês após a performance final televisionada de Fifth Harmony). Ela também cultivou cuidadosamente sua voz pública, dizendo a Lena Dunham em uma entrevista ao Lenny antes da inauguração de Donald Trump: “Eu vou ficar defender os imigrantes, e eu vou defender os hispânicos e seus direitos.” Depois que Trump emitiu sua ordem de imigração, ela twettou, “o #MuslimBan é desumano além das palavras… estou em em estado de choque. ESTE NÃO É QUEM SOMOS. ”

“A rota mais fácil seria calar minha boca, cantar as músicas, vestir as roupas e continuar, sabe?” diz Cabello com uma risada tensa, comparando a vida em 5H contra sozinha. “Digo, nós estávamos no topo de nossa carreira. Definitivamente não era a opção segura.” Mas, ela diz, “Eu tenho isso no meu DNA. A forma com que minha mãe me cirou, sempre foi: não se acomode. Pule e espere que creçam asas em você na descida.” Ela balança seus braços como se estivesse em uma montanha russa. “Eu me sinto viva!”

O site Genius, que analisa letras de músicas, determinou que Camila cantou em 45% das músicas do Fifth Harmony. Mas ela não só fazia a maior parte do trabalho dentro do grupo, como fora também. Ela começou a escrever suas próprias músicas no começo da carreira com o 5H, apesar da agenda corrida. O álbum Red, de sua amiga Taylor Swift, a inspirou a escrever sobre as mudanças em sua vida, então quando ela não estava no estúdio trabalhando no EP Better Together, do Fifth Harmony, lançado em 2013, ela estava compondo letras em cima de melodias de outros artistas sobre seu primeiro beijo e o primeiro namorado. Depois, ela conseguiu um teclado e o programa GarageBand e começou a fazer demos enquanto estava em turnês.

“Eu acordava super cedo”, conta Camila, “descia do ônibus, entrava no hotel, ligava a TV bem alto – não queria que me ouvissem gritando –, entrava no banheiro, colocava o laptop na privada, sentava no chão e escrevia o dia inteiro”.

“Ela cumpriu suas 10 mil horas”, explica Roger Gold, empresário da cantora. “O Fifth Harmony trabalhou duro por 11 meses no ano. Foi uma escola incrível”.

Quando chegou a hora de Camila deixar o grupo, algumas frases ácidas foram ditas de forma pública. Quando é perguntada sobre o que aconteceu, a cantora não desconversa.


Quando o relacionamento entre você e o grupo começou a mudar?

Não sei. Sempre fui aberta que não conseguiria simplesmente cantar palavras de outras pessoas e ficar totalmente feliz com isso. Você tem que seguir e honrar essa voz interior. Sempre encorajei as meninas a fazerem o mesmo.

Mas você sente que isso mudou o relacionamento, você falando disso?

Acho que, em um grupo, sempre haverá tensão, seja por isso ou outra coisa. Obviamente, acho que isso balançou o barco.

Você falou com alguma das meninas de 5H desde que tudo aconteceu?

Não.

Você as procurou diretamente?

Sim. Não quero falar dos detalhes, porque foi muito intenso e é difícil falar disso. Me deixa triste.

Quando soube que você iria solo, fiquei tipo, “Certamente não há ressentimentos porque isso não é uma surpresa.” Depois foi tipo, “O que está acontecendo?”

Tive a mesma reação. Esperava que fosse uma virada de páginas pacífica e que torceríamos uma pelas outras. Mas só tenho amor por elas.


Cabello tirou suas primeiras férias em cinco anos no Natal, depois que sua mãe, Sinuhe, insistiu que ela se desligasse com a família (incluindo seu pai, Alejandro, e a irmã de 9 anos, Sofia) por três semanas em Cancún. “Os primeiros quatro dias foram complicados,” diz Cabello. “Eu estava estressada por não me estressar por algo. Às vezes você tem medo do silêncio. Tipo, vai, vai, vai!”

Cabello foi criada em Havana e, depois, Cidade do México. Quando tinha 6 anos, seus pais a disseram que estavam indo para a Disney. Ao invés disso, Camila e Sinu (como é chamada) emigraram legalmente do México, passaram um dia na espera, enfrentaram uma viagem de ônibus de 36h para Miami e se mudaram com um amigo. Alejandro foi forçado a ficar para trás, mas, depois de um ano e meio, ele se cansou e se arriscou cruzando a fronteira. Sinu era uma arquiteta em Cuba, mas encontrou trabalho na Marshalls, estocando sapatos. Alejandro, quando chegou, lavava carros no shopping. Hoje, eles têm uma bem sucedida empresa de construção.

“Meus pais trabalharam muito duro,” diz Cabello. “Sempre tivemos períodos em que meu pai ficava sem emprego. Era um fluxo constante de ter dinheiro, perder tudo e depois buscar um jeito de recuperar de novo. Se tínhamos comida para comer, um teto sobre nossas cabeças e eu ia à escola, era suficiente.” (Alejandro finalmente conseguiu seu visto em 2016, e Cabello mandou seus pais para a Jamaica na lua de mel que nunca tiveram.)

Os amigos da Flórida de Cabello, todos de antes de sua aparição no The X Factor, se encontraram de novo no “Friendsgiving” em 2016 e ligaram por FaceTime para uma professora de teatro da oitava série que encorajou Cabello quando ela se interessou por atuar e cantar. Ela não é muito de sair: “Tive uma fase em Miami que fiquei tipo, ‘Vou fazer todas as coisas que eu faria se tivesse 19 anos,'” o que ela tem. “Fui a boates e fiquei tipo, ‘Não gosto disso.'” Depois do nosso brunch e Los Angeles, ela planeja se encontrar com Troye Sivan para tomar café e depois levar ele e Swift para uma casa alugada em Silver Lake para relaxar.

Principalmente, Cabello está focada em fazer música. Até seus hobbies servem para a causa. Para ideias de música, ela procura poesias (o livro Milk and Honey, da jovem feminista Rupi Kaur, a fez chorar), livros (atualmente: Amor no Tempo do Cólera, de Gabriel García Márquez), filmes (seus favoritos incluem Diário de uma Paixão, Titanic, Romeu e Julieta e, acima de tudo, a comédia romântica de 2001 Escrito nas Estrelas) e citações inspiracionais que encontra no Tumblr. Ela também gosta de praticar violão – integrante da banda de 5H e “amiga super próxima” Ashlee Juno lhe dava aulas diárias durante a turnê 7/27 do grupo em 2016.

Romanticamente falando, diz Cabello, “Não tenho nada acontecendo agora,” apesar de ela deixar escapar que “literalmente todo garoto que já gostei era de Escorpião.” (Fofoqueiros, anotem: Mendes é Leão). E quando começamos a falar de La La Land, ela acaba contando uma história inacreditável: “Adoro esse filme porque sou uma romântica sem cura. Me fez sentir que eu poderia conhecer qualquer um em qualquer lugar. Tipo, ontem pedi o número do motorista do meu Uber. Porque estávamos falando do filme e ele ficou tipo, ‘Acabei de sair de um relacionamento.’ Ele parecia justamente um romântico sem cura. E eu fiquei tipo, ‘Quer sabe? Vou pegar o número dele.’ Ele nunca respondeu minha mensagem.” O quê? “Não sei, talvez não tenha chegado para ele.”

Algumas semanas após o nosso brunch, no início de fevereiro, Cabello está na cabine da Sphere Studios em Los Angeles, o laptop e o Notes estão abertos, cantando a partir de um arquivo chamado “It’s Only Natural” usando seu coo e um leve patois: “É apenas natural, eu preciso de algum amor de você / Eu poderia te abordar / É apenas humano, querer fazer as coisas que fazemos.” O vocal é suave e brilhante sobre tambores de aço e amostras vocais editadas no estilo Jack Ü.

“Eu nunca subestimei seu talento, mas não esperava que ela tivesse uma visão tão poderosa”, diz Andrew “Pop” Wansel, que é conhecido por seu trabalho com Kehlani e Alessia Cara, da sala de controle. “É uma colaboração real”, diz o co-produtor Frank Dukes, que trabalhou com Drake e Travis Scott. “Às vezes, é como uma banda tocando livremente.”

O trio vem aprimorando canções que habilmente misturam o amor de Cabello pelo ANTI de Rihanna (“posso tocar ele para sempre”, diz ela), a era do R&B-pop que inclui a canção de Alicia Keys “No One” de 2007, todas as coisas da Shakira e, claro, a música cubana. Eles querem abrir o LP com um corte de piano chamado “Havana” e pré-visualizar uma música caribenha animada que soa como Sia plantando uma bandeira em “One Dance”. “Camila é uma compositora incrível”, dizo CEO/presidente da Epic Records Antonio “LA” Reid, que (com Simon Cowell) montou 5H para The X Factor e ainda tem Cabello em sua lista. “Ela está trabalhando horas extras.”

A mãe de Cabello aparece no estúdio para lembrá-la de que ela tem uma ligação em 15 minutos. Sinu não é só uma mãe-empresária, mas também a mão direita de sua filha e confidente. Junto com os outros membros da 5H, ela esteve ao lado de Cabello o tempo todo, e agora ela é a única restante que já viu tudo. Fifth Harmony, entretanto, está em guerra sem Cabello. A Epic planeja lançar um álbum do grupo em 2017, e o desempenho de 5H no People’s Choice Awards de “Work From Home” em janeiro foi uma indireta inconfundível, como Fifth Harmony mudou o “eu” para “nós” na abertura de Cabello “Eu não estou preocupada com nada”, e pontuou-o com uma parada completa.

Em abril de 2016, entrevistei as integrantes do Fifth Harmony para uma história de capa da Billboard, e o bate-papo rapidamente se transformou em uma conversa lacrimejante de queixas sobre a influência do grupo em suas vidas privadas. A única que não chorava era Cabello. “Eu estava tipo, ‘Oh, meu Deus, esta é a coisa mais triste que eu já vi.’ Desculpe por isso”, ela me diz desta vez. Cabello não era imune às pressões, estava apenas apenas se reparando, lutando contra a ansiedade com textos em seu diário, exercício, meditação e música. Lembro-lhe o que ela me disse naquela época – que ela tinha recentemente medo das coisas que seu cérebro poderia lhe dizer.

“É tão difícil ouvir isso”, diz Cabello, baixando a cabeça. “Parte meu coração. É como se eu estivesse me olhando da perspectiva de outra pessoa, como, ‘Droga, pobre garota.'” Ela finalmente chorou depois do tumulto com o grupo, em Miami com seus pais e irmã. E então, ela diz, “Eu fui muito à praia. Ouvi apenas música latina. Isso me lembra de onde eu venho e que este [conflito] não tem que ser a Terceira Guerra Mundial. Em Cuba, as pessoas estão literalmente fazendo jangadas de pneus e paus, jogando-se no oceano para encontrar oportunidade. Isso é uma merda. Isso não.

“Eu sei que as pessoas vão tentar transformar isso em ‘Será que ela vai ser mais bem sucedida fora do grupo?'” Continua Cabello. “Para mim, se eu estou no estúdio todos os dias e eu estou crescendo como um artista e eu estou falando do meu coração, isso é o sucesso. Os resultados não importam. Quero dizer, não é esse o objetivo?”

Se Cabello está ansiosa agora, não mostra. Ela parece orgulhosa do que 5H foi – “Nós representamos todos os tipos diferentes de mulheres se unindo”, ela diz carinhosamente – mas é sincera sobre o que não era: “Nós não escrevíamos nossas músicas. Estávamos interpretando a história de outra pessoa. Fifth Harmony é uma entidade ou identidade fora de todos nós, e eu não acho que ninguém se sentia individualmente representada pelo som – nós não o fazíamos. “

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