TRADUÇÃO: Entrevista de Camila e Sinuhe para a Glamour

05 abr 2017

Como todos sabem, o mês de maio é marcado pelo feriado internacional do Dia das Mães, e como essa data não se pode deixar passar em branco, a Glamour Magazine convidou mulheres que inspirassem outras por sua história de vida para sua nova edição. Consideradas inspiradoras e convidadas pela própria revista, Camila Cabello e sua mãe, Sinuhe Cabello, concederam uma entrevista exclusiva, que fora divulgada hoje (05) nas redes socias da própria Glamour. Nessa entrevista, ambas falam sobre sua história de vida como imigrante, a relação entre as duas e muito mais. Confira abaixo a tradução da entrevista:

Camila Cabello veio de Cuba com apenas uma boneca e um sonho

Era uma vez, a sabedoria convencional era que, como mulher, não nos identificávamos com aqueles muito mais velhos ou novos que nós. Mas vivemos em um mundo diferente hoje. As fronteiras entre gerações estão borradas: Mulheres de todas as idades agora compartilham uma cultura em comum; são mais propensas a assistir as mesmas séries de TV, fazer exercício juntas, até mesmo usar as mesmas roupas. Nesse espírito, convidamos algumas das mulheres mais inspiradoras que conhecemos para nomear as mulheres que as inspiram em nossa edição do mês de Maio. A seguir: a estrela pop Camila Cabello que – junto com sua mãe, explica sua jornada de Cuba para a América.

Tudo que Camila Cabello e sua mãe, Sinuhe, tinham quando vieram à América era uma simples mochila de pertences – e uma à outra. Era mais que suficiente…

“Você se lembra do ônibus?” Sinuhe Estrabao pergunta à filha.

Camila concorda com a cabeça. Ela ainda consegue se imaginar aos seis anos de idade, carregando um diário do Ursinho Pooh com uma boneca loira em um vestido rosa que sua mãe havia comprado para ela em um mercado de pulgas. Foi uma viagem conturbada enquanto paravam em postos de gasolina, mercearias, casas e esquinas de rua em seu caminho através do México. Ela e sua mãe tinham vindo, somente as duas, de Cuba, onde Camila nasceu, carregando apenas uma mochila de pertences para a jornada. Quando finalmente chegaram a um centro de imigração na fronteira dos EUA e, depois de seis horas, receberam a permissão para atravessar, Camila pulou para cima e para baixo, gritando “Yay!” Sinuhe chorou de alívio.

Sinuhe, agora com 48 anos, foi arquiteta em Cuba, mas sentiu que suas chances de sucesso eram limitadas. “Não queria isso para a minha filha”, diz ela. “Eu queria que ela tivesse oportunidades.” Ninguém poderia ter predito o quão bem sua visão daria – Camila indo bem na escola em Miami e fazendo sua audição, enquanto estava nona série, para The X Factor, que lançou sua carreira musical com popular girlband Fifth Harmony. E agora, depois que ela anunciou sua decisão de ir solo no final do ano passado, milhões de fãs estão aguardando o primeiro álbum. “Minha mãe sempre me apoiou”, diz Camila, 20 anos. “Nós nos tornamos uma equipe.”

Aconchegadas uma ao lado da outra em um sofá de couro com vista para uma piscina no Hollywood Hills, mãe e filha fala sobre como chegaram aqui, juntas.

CAMILA: Toda vez que minha mãe me conta a história de deixar Cuba, eu aprendo mais.

SINUHE: Voamos de Cuba para o México, e fomos de ônibus até a fronteira americana; demorou um mês. Nós deixamos todos para trás, meus amigos, minha família. Meu medo era que meu marido não fosse [nunca] capaz de vir.

CAMILA: Lembro-me [dela] me dizendo que meu pai se tornou uma formiga à distância, enquanto estávamos dizendo adeus.

SINUHE: Nós fomos para Miami e ficamos com um amigo da família por dois meses até eu conseguir um emprego na Marshall’s, no departamento de sapatos, e podermos alugar um quarto. Foi muito difícil. Vim aqui sem dinheiro e deixei tudo o que era familiar. Mas fiz uma lista de metas, e toda vez que riscava uma, sentia que tudo valia a pena.

CAMILA: Em Cuba houveram dias de aula em que nós só assistíamos desenhos. Não estávamos aprendendo. Mas quando vim para os EUA, era como: dever de casa. Muitas coisas mudaram tão de repente – estar em uma nova escola sem meus amigos, eu não falava a língua, e eu sentia falta do meu pai. Tinha um pequeno calendário da Disney que eu marcava com x até o dia em que ele deveria vir. Quando ele finalmente veio, um ano e meio depois, eu fiquei tão feliz!

SINUHE: Eu me concentrei em colocar a Camila para estudar porque precisaríamos de uma bolsa para a faculdade. E eu trabalhei [para] obter o meu grau como um empreiteira geral. [Meu marido e eu finalmente lançamos] uma empresa de construção civil.

CAMILA: Eu era muito introvertida quando criança. Mas eu comecei a levar meus CDs para depois da escola; eu pedia a caixa de música e tocava minha música no canto e as pessoas vinham. Criei um pequeno canal do YouTube fazendo covers – devo ter postado 50. Mesmo que eu ficasse tipo, “Meu Deus, isso é tão ruim”, a música era a coisa pela qual eu era apaixonada o suficiente para superar a timidez. Depois de ver um vídeo da One Direction “dicas sobre audição para The X Factor (EUA)”, perguntei à mamãe se eu poderia fazer a audição.

SINUHE: Ela era tão tímida que não acreditávamos que ela fosse capaz disso. Mas eu disse ao meu marido: “Ela quer ir a uma audição. Vamos.”

CAMILA: Foi a primeira vez que eu cantei na frente de uma plateia.

SINUHE: Nunca encontrei alguém que enfrentasse seus medos como ela. Eu sei que ela está apavorada, mas ela não para. Ela sempre me pergunta: “Você acha que todo mundo sabe [que estou com medo]?” E eu respondo, “Não, ninguém percebe.”

CAMILA: Acho que a coisa mais importante que aprendi com minha mãe foi: você é humano se tem medo, mas não pode deixar que ele determine o quanto você se esforça em uma situação. Se alguma coisa, ele deve fazer você se esforçar mais – ir até o fim.

SINUHE: Nunca esperei que ela fosse uma cantora.

CAMILA: Neste momento estou no processo de escrever sobre toda a nossa jornada. Quero fazer uma canção de amor para imigrantes. Essa palavra, imigrante, tem uma conotação tão negativa – posso imaginar todas as meninas que sonham vir aqui e se sentem indesejadas. Inspira-me na minha música para que eu faça meu melhor e dê [a eles] a luz que tenho. Quero ser no que as pessoas pensam quando pensam na América – uma pessoa que, não importa qual foi primeira língua ou qual seja sua religião, pode ver seus sonhos ganharem vida se trabalhar o suficiente.

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