TRADUÇÃO: “Por que as músicas pop mais ouvidas não são tão divertidas quanto as de Camila Cabello e Shawn Mendes?”

27 jun 2019

Por que as músicas pop mais ouvidas não são tão divertidas quanto as de Camila Cabello e Shawn Mendes?h

Na fumegante “Señorita”, Cabello e Mendes acabaram com a tendência maçante do pop tedioso de 2019. Todos os outros deveriam fazer anotações.

Quando se trata do cenário pop de 2019, “crise de identidade “ parece ser a ordem do dia. Pesos antigos estão debatendo e novas vozes estão com muita dificuldade para se firmarem com versáteis e vendáveis. Katy Perry e Taylor Swift estão travando uma guerra malsucedida de positividade implacável depois de flertes grosseiros com hip hop, enquanto Post Malone e Khalid continuam a ameaça de se afogar numa cascata tediosa com seus sons angustiantes.

Com exceção de Billie Eilish e atual rei das paradas, Lil Nas X – o último que parece ter definido seu destino como dono de um só sucesso após o lançamento de seu tedioso EP, 7 – o senso de diversão do pop parece ter sido escoado completamente. O produtores parecem estar confundindo o amor da Geração Z por hip-hop e eletrônicos ásperos com amor sério com cara de pedra, resultando em um mercado cheio de músicas que são tristes, anônimas e, o pior de tudo, chatas.

Nem tudo está perdido, no entanto: semana passada, Camila Cabello e Shawn Mendes lançaram a música co-escrita por Charlie XCX, “Señorita”, um dueto fumegante que muda a cara triste do pop de 2019 por algo mais sexy, inteligente e, ainda bem, mais divertida.

Devagar, mas definitivamente, Cabello e Mendes criaram identidade sólidas e fã-bases vorazes nos últimos anos. Cabello é uma cantora Cubano-americana com a voz rouca, que deixou sua posição em Fifth Harmony para seguir carreira solo, enquanto Mendes é uma caso de estrela-do-vine-que-virou-uma-estrela-de-verdade, que naturalmente tomou o posto de adolescente sofrido, com tesão, agressivamente casto e símbolo sexual que foi deixado pelos Jonas Brothers na última década. O par já tinha criados hits juntos (IKWYDLS) e sozinhos (“If I Can’t Have You” e “Stitches”, feitas por Mendes e Cabello fez “Havana”, que dominou as paradas), e os dois cultivaram fãs intensamente dedicados na internet- “Mendesheads” (sim, isso mesmo) e “Camilizers”.

Até este ponto, as respectivas carreiras de Mendes e Cabello têm sido como assistir crianças brincando de se vestir com roupas de adultos. Enquanto Cabello gravou algumas das canções pop mais interessantes e puramente agradáveis ​​dos últimos anos – a incandescente “Never Be The Same” é uma maravilha, e sua excelente colaboração com Mark Ronson “Find U Again” exibe uma versatilidade sorrateira – sempre houve um ar teatral infantil e bobo para suas tentativas de mistério e sex appeal; seus maiores sucessos canalizam uma ânsia por performance através de canções que explodem de emoção e personalidade. Mendes, por outro lado, pode ocasionalmente parecer uma causa perdida; enquanto há um óbvio mérito comercial para uma música tão cativante quanto “Stitches”, cada tentativa sucessiva de parecer um garoto mal-intencionado aparece como cada vez mais puro. Mas “Señorita” é facilmente quente e maravilhosamente leve, uma das primeiras vezes em que Cabello e Mendes parecem adultos sem diminuir a sua juventude ou individualidade. Uma faixa pop latina e arejada, “Señorita” traça o curso de um caso breve e carregado, as letras batendo em um ponto doce de soar sexy sem ser sexual, de flerte sem ser grosseiro, divertida sem ser pateta. O loop de guitarra hipnótica da música aumenta continuamente a tensão, e ouvir Mendes e Cabello parecerem quase intimistas, como ler as mensagens nas DMs de um amigo.
O refrão principal da música “Eu adoro quando você me chama de ‘Señorita’ ” – um duplo sentido que fica bem dentro do cânone de músicas que fetichizam a comunicação telefônica de Charli XCX – é carregado de tensão e alívio, contando várias histórias com uma economia admirável. E enquanto a música é vívida por conta própria, eu seria negligente em não recomendar pelo menos uma visualização no vídeo da música, um pouco de mimos aos fãs, quase incômodo, que se trata de Mendes e Cabello suados agarrando um ao outro.

Liricamente, Cabello, Mendes e seus co-escritores – Charli XCX, Jack Patterson, membro do Clean Bandit, e o co-escritor de Havana, Ali Tamposi, além dos produtores Cashmere Cat, Benny Blanco e Andrew Watt – estão em sua melhor forma. Tem um quê de tensão no flerte despreocupado com os sucessos dos anos 2000, como “Promiscuous”, presente no modo como Cabello e Mendes trocam facilmente as entradas; linhas como “Você diz que somos apenas amigos / Mas os amigos não sabem qual seu sabor”são alegremente descaradas e entregues com um sorriso malicioso. Cabello é charmosa como sempre em “Señorita” e carrega a maior parte da música na parte de trás de sua voz, que tem a capacidade de escorregar da garganta para aerea de um segundo para outro. Mas Mendes também parece surpreendentemente bom; em uma aparente tentativa de igualar a leveza do vocal de Cabello, ele passa grande parte da faixa em um registro superior que é infinitamente mais atraente do que o aceitável, mas que, de outra forma, não merece ser revelado em outras músicas. A música é creditada igualmente a Cabello e Mendes e parece um dueto no sentido mais verdadeiro. É uma pena profunda e vergonhosa que “Señorita” seja uma raridade no pop de primeira linha, quando Cabello e Mendes exibem uma jogabilidade emocionante que seus antepassados ​​raramente ostentam ao lançar uma obscena pantomima romântica como essa. Faz um bom tempo desde que alguém parecia estar se divertindo tanto em sua própria música.

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