Em entrevista para a Teen Vogue, Camila Cabello fala sobre seus fãs latinos

19 maio 2017

Nascida em Cuba e crescida nos Estados Unidos, Camila Cabello é exemplo para muitos admiradores que assim como ela, são de origem latina.

Desde o início da sua carreira, a cubana sempre teve muito orgulho de expor, representar e mostrar sua identidade latina, servindo de inspiração para muitos fãs que também compartilham do mesmo sentimento ou do mesmo sonho.

Em uma entrevista recente para a Teen Vogue, Camila fala sobre a sua cultura, sobre sua relação com seus fãs latinos e sobre a união da comunidade latina. Confira a tradução da entrevista logo abaixo:

Camila Cabello conversa com Diane Guerrero sobre falar para seus fãs latinos

Camila Cabello tem uma plataforma, e ela não tem medo de usá-la. Em seus cinco anos de fama desde que caiu nos olhares do público com Fifth Harmony, a cantora acumulou milhões de fãs, e ela vem sendo conhecida por favoritar seus tweets e seus Instagram Stories. Agora, separada se sua antiga girl group, Camila está se preparando para contar sua própria história em seu álbum de estreia solo. Ela conversou com Diane Guerrero, que interpreta a detenta Maritza Ramos em Orange Is The New Black e publica em uma conta sobre a deportação dos seus pais, sobre como eles estão usando suas experiências como pessoas latinas para abastecer sua arte e como sua identidade pode ser um dos seus maiores ativos.

Diane Guerrero: Oh, docinho, eu sou uma grande fã sua. Estou tão orgulhosa de tudo que você está fazendo. Você é um bom exemplo para nossa comunidade. Eu lembro de ler quando você falou pela primeira vez sobre os seus pais como imigrantes, e você calou todo mundo. Tem algo que você notou, dos fãs ou da indústria, sobre as oportunidades que você recebeu como artista porque você se abriu sobre suas experiências?
Camila Cabello: Eu acho que, para mim, a melhor parte é quando você ouve dos fãs. Eu conheço uma fã especificamente que veio do Méximo, e eu sempre a vejo em New York trabalhando muito furo para conseguir um dinheiro extra para sua família. Eu amo o quão orgulhosa ela é, especialmente por ser mexicana, e ser alguém que está tentando criar um futuro melhor para si mesma nos Estados Unidos. Eu acho que isso foi muito especial.

DG: É muito difícil compartilhar sua história. No momento, estamos esperienciando esse silêncio de quem somos. Eu cresci em um lugar onde política não era super normal de se falar. Se eu falasse um pouco a mais na faculdade, eu lembro das minhas amigas ficarem meio, “Você é tão intensa” ou “Porque você sempre tem que falar sobre raça?”
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Minha herança e minha cultura são grande parte de quem eu sou. Eu venho tentando incorporar isso na minha música – eu estou na verdade no processo de finalização de uma música que é sobre minha história e como minha família veio para cá. Muitas pessoas não sabiam que eu era latina até eu começar a falar abertamente sobre isso.

DG: Esse é o poder da música. O público e os fãs não criam essas construções sociais e bolhas como os executivos de Hollywood fazem. Na minha experiência, porque eu sou atriz e não pude escapar do fato de ser latina. Eu não acho que vemos muitos latinos nessa indústria serem tão abertos. Eu acho que sempre tivemos medo pelos nossos empregos. Ficamos sempre meio “Oh, obrigada, muito obrigada, sou tão grata,” e tipo… Esses dias acabaram.
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Eu sinto que isso é mais óbvio na atuação. Ser vocal sobre isso é importante. Eu acho que muitas das vezes as pessoas meio que escolhem ignorar as coisas porque elas não são diretamente afetadas, o que é um privilégio para muitas pessoas. Elas ficam meio, “Oh, vai ficar tudo bem.” Muitos dos meus fãs são latinos então eu definitivamente trato isso como uma responsabilidade especial de falar por eles. Eu honestamente nunca planejei ser tão ativa politicamente, mas a administração do Trump atingiu muito próximo da minha casa. Eu vi muito ódio quando foi falado sobre imigrantes. Eu fiquei meio, “Eu preciso falar sobre isso porque é maior que eu.”

DG: Se você pensar sobre isso, todas as minorias combinadas, somos a maioria. Não somos a minoria. E se começarmos a olhar as coisas dessa maneira, então as coisas vão começar a mudar. Não é sobre exclusão; é sobre explicar o que está acontecendo na história por anos, e como estamos falhando uns com os outros por não sermos abertos nessas conversas e exigir representação. Gina Rodriguez está constantemente me falando, “Precisamos motivar a comunidade a começar a prestar atenção e fazer algumas mudanças.” Nos recusamos a continuar no status quo, e continuar a comer o que eles nos dão.
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Nos juntar é realmente importante. Se todos – artistas, escritores, atores – abraçassem quem eles são e fizessem o diálogo ainda mais aberto, é isso que precisamos. União.

DG: Temos uma comunidade latina muito grande. E se decidimos que não queremos mais ver esse filme porque não nos vemos representados, acredite em mim, poderíamos acabar com isso. Se cada jovem latino se visse como advogado e médico e professor e ativista na televisão, então talvez isso ia ajudar a promover a mudança e o avanço em nossa comunidade.
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Honestamente, você não poderia ter dito melhor.

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